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Os movimentos do governador entre aliados e adversários

13:47 | 01/11/2017

A discrição absoluta de Cid Ferreira Gomes foi um dos pontos que mais chamou atenção no evento do Palácio da Abolição em que o governo do Ceará organizou uma festa solene pela conquista do hub da Air France/KLM. Até porque, era uma postura que contrastava com a de outro ex-governador, o tucano Tasso Jereissati, que poderia se sentir mais deslocado por ser hoje, afinal, um senador ligado ao grupo que faz oposição a Camilo Santana. São as coisas da política, que nem sempre se consegue explicar com a lógica necessária.

 

Inexiste, pelo que se sabe, qualquer ponto de tensão entre Cid Gomes e seu sucessor. Portanto, não é o caso de alimentar expectativa de rompimento, briga ou coisa que valha entre criatura e criador, na linha das tantas situações do tipo que já aconteceram ao longo da história política. Do Ceará, do Brasil e, certamente, do mundo. O que há, claramente, é incômodo diante de movimentos do atual governador que as circunstâncias políticas tornaram necessárias, sendo a mais notória delas uma aproximação com o senador Eunício Oliveira, que pode ou não levar a uma aliança eleitoral.

 

O cenário mudou bastante desde 2014, ano em que, escolhido e apoiado por Cid, Camilo derrotou Eunício na disputa pelo governo estadual. O poder federal saiu das mãos da petista Dilma Rousseff e foi para o peemedebista Michel Temer, devido a um processo de impeachment, o que já representa, em si, uma transformação profunda do quadro e ajuda a justificar parte das mudanças de postura. Especialmente para quem enfrenta a responsabilidade de administrar o Ceará em meio a uma das mais severas crises econômicas do País. Missão árdua que hoje cabe ao governador petista.

 

É pouco provável que Cid Gomes não compreenda a necessidade de aproximação, considerando, especialmente, o protagonismo que o peemedebista cearense ganhou ao se tornar presidente do Senado Federal. Compreender é uma coisa, aceitar é outra. Pode-se dizer que os movimentos do governador têm incomodado muito o importante aliado, que faz planos de estar na chapa majoritária em 2018, muito provavelmente como um dos candidatos ao Senado. Aparecer de novo em palanques de campanha ao lado de Eunício Oliveira, certamente com aqueles gestos singelos de corações com as mãos e tal, representará um desgaste que precisa ser bem calculado diante de um eleitor que vai estar mais desconfiado no próximo ano.

 

Certo é que Camilo Santana faz o que precisa ser feito para pavimentar seu caminho rumo à reeleição. Embora esta deva ser a regra, nem todos os passos precisam de alinhamento com o aliado principal e fiador de sua candidatura lá atrás, situação que termina gerando momentos de constrangimento administrado. Como no evento do hub, onde um Tasso muito à vontade, de sorriso aberto e espírito leve, fazia contraponto a um Cid Gomes introspecto, que chegou atrasado e permaneceu no local cumprindo uma espécie de formalidade. Ainda bem, para esse contexto, que Eunício Oliveira, também convidado, não encontrou espaço na agenda para comparecer, o que poderia elevar os níveis de constrangimento político daquele ambiente.

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