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O ódio do deputado e a professora esquerdista

20:33 | 23/08/2017

Qual é a responsabilidade do político, seja ele do partido "a", "b" ou "c", no esforço que devem fazer as forças de bem, hoje, para que o País retome sua perspectiva civilizatória? A pergunta se impõe que seja feita diante de situações como esta dos últimos dias que coloca parlamentares, detentores de mandatos públicos, indo às redes sociais para quase que justificar a inaceitável violência contra a professora Márcia Friggi, covardemente agredida por um aluno no interior de Santa Catarina. Vale registro negativo especial o caso do deputado Marcos Feliciano.

Além de parlamentar, um líder religioso, o que lhe dá duplo peso no debate. Pois Feliciano usou o espaço valoroso hoje representado pelas redes sociais para dizer, quase em tom de denúncia, que a professora agredida tinha forte militância esquerdista. Captou algumas mensagens dela de críticas à atividade política, de apoio a gestos considerados ofensivos contra representantes da área conservadora, onde o próprio está localizado, para, utilizando-se de linguagem meio confusa, praticamente justificar a ação injustificável do aluno. A velha e equivocada lógica de que um erro tem o poder de justificar o outro.

Em tom irônico, o deputado Feliciano recomenda à profissional agredida em pleno ambiente de trabalho, de maneira covarde e inaceitável, que ela precisa perdoar o agressor, "como freireana", ou seja, seguidora do educador Paulo Freire, já que o jovem deve ser uma vítima do sistema opressor etc etc. Um blá-blá-blá que as reiteradas observações de que é contra qualquer tipo de violência, em vídeo que vi dele acerca do assunto, não conseguem esconder o objetivo político rebaixado de concluir que a educadora quase que pediu para ser vítima daquela ação violenta. Simplesmente por sua militância esquerdista, por defender uma ideia na qual acredita e, evidentemente, se posicionar contra quem professe uma fé política diferente da dela. Este é o "crime" da professora.

É injustificável, e não há qualquer "mas" a considerar neste caso, o que aconteceu na escola catarinense. De um cidadão com mandato popular, líder religioso importante além disso, a única coisa que se espera é uma manifestação de condenação indiscutível. Não há margem para outro tipo de reação, independente de como a vítima pense o mundo que idealiza, de seus conceitos políticos ou de sua visão ideológica sobre os problemas do País e da educação.

O deputado Marcos Feliciano, que costumeiramente queixa-se de ser vítima de patrulhamento, até com razão em episódios determinados, incorre na prática que tanto condena ao agir da maneira que o faz em relação à professora Marcia Friggi. Seja qual for o pensamento ideológico dela, uma senhora, de 52 anos, violentamente agredida por um jovem 37 anos mais novo. Tripudiar disso, fazer discurso odioso, é demonstrar nenhum compromisso com a construção do mundo melhor que até pode estar na sua pregação religiosa, mas, infelizmente permanece ausente de sua prática política.

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