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A agenda extraoficial de Temer e Raquel

18:10 | 09/08/2017

Claro que há uma grande diferença na pauta dos encontros. No entanto, a futura Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sem dúvida que ajuda a fragilizar o atual ocupante do posto, seu colega Rodrigo Janot, quando aceita o convite do presidente da República, Michel Temer, para um encontro na residência oficial do Jaburu, sem agenda oficial, depois das 22 horas. Afinal, acaba dando tom de normalidade a aspectos que fundamentam a denúncia de Janot contra Temer, no caso da vergonhosa, pela forma e pelo conteúdo, reunião dele com o empresário Joesley Batista.

 

O primeiro objeto da desconfiança do Ministério Público representado por Rodrigo Janot no caso do encontro entre Temer e Joesley no Jaburu é o fato dele ter acontecido fora da agenda e tarde da noite. Exatamente como se deu a reunião entre Temer e Rachel, somente não ignorado pelo público devido à vigilância de cinegrafista da Rede Globo, que captou a chegada do veículo dela ao local. Involuntariamente, é possível, mas a futura chefe do Ministério Público Federal, com posse marcada para 18 de setembro próximo, coloca o colega em maus lençóis ao dar ares de normalidade a uma situação que a denúncia coloca como uma das principais indicações de que a má intenção estava presente ao episódio, a partir do local, da hora e das circunstâncias em que aconteceu.

 

Raquel Dodge chega ao cargo cercada por muitas dúvidas. Primeiro, não foi o nome mais votado na consulta feita ao conjunto de procuradores, situando-se alguns votos abaixo do favorito de Rodrigo Janot, Nicolau Dino; depois, foi sistematicamente apresentada ao longo da campanha como a opção anti-Janot na lista de candidaturas, indicando que sua gestão poderia representar um ponto de inflexão importante no estilo de investigação que há incomodado o mundo político de maneira intensa nos últimos anos. A começar pelo Palácio do Planalto.

 

O cenário, portanto, requer um cuidado que faltou no caso. Para tratar de assuntos relacionados à posse, como a procuradora alega, mais ainda conviria que fosse um encontro às claras, agendado oficialmente, realizado no ambiente de trabalho do presidente, de preferência. Raquel Dodge protagoniza um erro crasso, já antes de sua chegada, ao alimentar suspeitas acerca do que representará a mudança de mãos do comando do Ministério Público em momento de tanta delicadeza política, à parte eventuais diferenças de estilo.

 

Quanto ao presidente Temer, sai muito bem do episódio, obrigado. Está provado, afinal, que encontros na residência oficial em horário extravagante e sem registro na agenda acontecem com natural regularidade, até mesmo entre o presidente e integrantes do alto escalão do Ministério Público, mesmo que de uma cúpula futura. O que piora ainda mais o caldo é o fato de o encontro encerrar o dia político no qual o peemedebista foi à justiça levantar suspeição contra Rodrigo Janot e pedir o seu afastamento do caso. Seria impossível escolher momento mais infeliz para a iniciativa tão infeliz.

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