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Dois estilos, resultado igual e uma preferência

17:12 | Jul. 05, 2017
Autor Guálter George
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Guálter George Editor executivo de Política
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Tipo Notícia
Lava Jato virou, no Brasil, sinônimo de combate à corrupção, de limpeza ética, de ação eficiente do Estado contra desvios de recursos públicos. Virou uma espécie de referencial único, o que acaba sendo injusto com outros movimentos que acontecem no País, até estimulados e determinados pelo começo de tudo lá em Curitiba, mas que envolvem outros atores e um tipo de comportamento diferente. Ao meu ver, inclusive, até de maneira mais conveniente àquilo que se espera dos que atuam em nome da sociedade, notadamente procuradores e magistrados.

Há um comparativo direto que pode ser feito para demonstrar dois tipos de atitudes e observar qual deles nos pode atender melhor. Há, como dito, a forma como age o pessoal do Ministério Público e da Justiça nas ações diretas da Lava Jato no seu estágio inicial, em Curitiba, expondo-se, mantendo presença permanente nas redes sociais, através de endereços pessoais em Twitter, Facebook e outros espaços modernos de comunicação, cumprindo agenda frenética de palestras e entrevistas. É evidente que em muitos momentos extrapolando um limite institucional recomendável e se manifestando, com juízos de valor, acerca de temas e pessoas que o momento recomenda que evitassem tratar fora dos autos.

Nomes como Sérgio Mouro, Deltan Dalagnol, Carlos Fernando Lima estão, como diriam alguns, "na boca do povo". Até justamente em boa parte das situações, diga-se, porque desenvolvem um trabalho importante no saneamento da coisa pública nacional como o noticiário farto demonstra, pelo desmonte de esquemas criminosos gerados a partir de uma má prática política que parecia disseminada. O problema tem sido, ao meu ver, a forma como o grupo lida com o "sucesso".

Há, para análise, um outro exemplo de atuação firme e elogiável de agentes públicos no grande esforço nacional de combate à corrupção. Ele vem do Rio de Janeiro, onde um juiz e uma turma de procuradores federais, a maioria também jovens, ataca práticas corruptas de tempos, numa ação que tem levado à prisão gente graúda da política e do meio empresarial, incluindo um ex-governador, e o aspecto que prevalece, em tudo, é o rigoroso cumprimento do papel institucional por cada um dos envolvidos. Não há redes sociais, não há uma agenda de palestras centradas no personalismo, não há um incontido desejo de falar sobre tudo e sobre todos, a todo momento.

É a justiça e o Ministério Público que estão atuando, e muito bem, para manter na prisão o ex-governador Sérgio Cabral e uma longa lista de aliados com os quais ele se juntava para obter proveitos financeiros pessoais de desvios em projetos tocados com dinheiro público. As manifestações ao público e à imprensa, quando acontecem, cingem-se às entrevistas coletivas para detalhamento das ações, informação sobre prisões, motivos etc. Tudo dentro do roteiro institucional, nada além, nada aquém.

São dois estilos. O que parece claro é que a sociedade ganha mais quando se respeita limites e os agentes públicos se expõem menos ao que está definido simploriamente como pressão da opinião pública. A justiça é mais justiça quando se faz longe dos holofotes, selffies e outras manifestações populares que nem sempre estão em sintonia com o que a realidade disponibilizada pelos fatos apurados determina. Dá mais tranquilidade quando assim o é.

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