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O perfil é mais importante do que o nome

19:35 | 03/05/2017

Os institutos de pesquisa correm a elaborar aquela aferição periódica do pensamento do eleitor brasileiro, fazendo-o projetar a intenção de voto para uma disputa pela presidência da República prevista no calendário apenas para 2018. Exercício de efeito apenas relativo, hoje, porque o mais indicado para agora seria desprender-se de nomes e tentar construir o perfil que a população espera do seu próximo governante, ou seja, as qualidades que ele, ou ela, precisará apresentar aos olhos da sociedade para conduzir o País ao reencontro com a normalidade perdida nos últimos e conturbados anos.

 

O Brasil pede, com sua realidade atual, um líder que seja capaz de unir. Alguém com credibilidade e distanciamento suficiente para fazer com que se sentem todos à mesa, de todas as ideologias, a partir do interesse comum básico de querer o melhor para o País. O desafio é gigantesco e impõe como sacrifício, intransponível para alguns atores da conturbada ação política contemporânea, buscar diálogo com os diferentes. Um erro crasso evidente, considerando que é da soma dos cidadãos de bem, e não de uma divisão que só serve a interesses menores, que resultará um futuro de maior esperança.

 

As opções que a ciência da pesquisa apresenta, nesse sentido, mais preocupam do que servem para tranquilizar. Com qualquer dos eleitos, imaginando-se que saia das pesquisas divulgadas nos últimos dias o próximo mandatário maior brasileiro, o novo governo já começará apresentando uma boa base de resistência política em nível forte o bastante para obstruir qualquer conversa entre partes para identificar os consensos possíveis. O Brasil dividido continuará dividido, representando uma tendência de prolongamento do angustiante estado atual de coisas.

 

Baixar a temperatura política será a tarefa prioritária inicial de quem for eleito presidente da República no próximo ano. Tarefa quase impossível de ser levada adiante por líderes como Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Marina Silva, João Dória, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e outros nomes cotados a partir do que apontam as pesquisas em questão. Cada um deles já carrega consigo uma taxa de rejeição de segmentos políticos adversários, maior ou menor, que significa em si um empecilho ao que se consideraria esforço de recuperar alguma ideia de Nação.

 

O verbo que o País precisa conjugar para o futuro, se quer pensar em reversão efetiva deste cenário no curto espaço de tempo, é "incluir". Preocupa muito, por isso, que as pesquisas sobre tendência de voto do brasileiro apontem para um caminho capaz de aprofundar o caráter excludente da prática política que predomina hoje, ajudando a explicar muito do que temos sofrido, exatamente numa hora em que a união seria útil como instrumento de superação de dificuldades que acabam atingindo a todos, indistintamente. O que varia, de um caso para o outro, é a intensidade do mal que a crise é capaz de causar para cada um.

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