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O que há de bom na lista de Fachin

17:52 | 12/04/2017

A boa notícia da lista do ministro Edson Fachin, do STF, é que o discurso do direcionamento nas investigações relacionadas à operação Lava Jato fica sem espaço. Está lá todo mundo que, aparentemente, merece estar, considerando-se os indícios de irregularidades existentes contra cada um, independente de partido, ideologia ou afinidade política.

 

Como má notícia, vê-se um pluralismo tal que dificulta, num olhar para mais adiante, vislumbrar nomes capazes de conduzir o País rumo à porta de saída de uma crise que há tempos gera paralisia e incerteza. Inclusive, e especialmente, na economia.

Melhor é que nos concentremos no lado bom que embute a notícia relacionada à lista nascida dos depoimentos dos executivos da Odebrecht, numa delação premiada coletiva, por mais dúvidas que ela também seja capaz de trazer.

 

Observar equilíbrio na investigação, sem alvos definidos ou pré-definidos, sem aparência de interesse maior num partido ou num político, surge como uma forma de gerar tranquilidade entre aqueles que esperam apenas que se faça justiça dentro de todo o processo no qual estamos envolvidos como sociedade.

 

O foco precisa ser o desmonte, em caráter definitivo, de um sistema que há tempos vinha fazendo mal ao interesse público no Brasil e que parecia capaz de se impor sobre qualquer circunstância posta diante dele. É nocivo às necessidades deste novo momento um discurso generalizante contra a política e, especialmente, os políticos. Pelo contrário, deve-se identificar e valorizar os que conseguem sobreviver sem serem cooptados por um sistema com características tão negativas e asfixiantes. Eles, os bons, existem, estão lá, nos partidos, nos parlamentos, nos governos, restando-nos, como cidadãos e eleitores, saber fazer uma identificação melhor na hora do voto.

 

O que acontece no ambiente público do Brasil é resultado positivo da democracia e não um efeito negativo dela. Fosse outro o regime no qual estivéssemos vivendo, tudo que interessasse esconder ao governo de plantão estaria escondido, exatamente o contrário do que tem acontecido. Por mais que pareça simpática ao presidente Michel Temer a ideia de que as mazelas dos políticos não sejam expostas da forma como têm sido, o fato é que elas têm ido à baila, estão na mesa de discussão. O único caminho diante de nós é aquele que recomenda ir fundo nas investigações, punir todos que merecerem punição, inocentar todos que demonstrarem inocência, e conduzir o País de volta ao caminho da normalidade. Sem pressa, mas no ritmo que permita uma virada de página tão logo ela se vislumbre possível.
 

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