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Para Camilo, Cid e Eunício, 2018 já está chegando

16:15 | 27/07/2016

Fervilham os bastidores da política cearense com as articulações pela disputa municipal de 2016. É interessante que assim esteja, porque as notícias sobre as condições de caixa da maioria das prefeituras, brasileiras, até, indicam um grave quadro financeiro e uma insuficiência geral de recursos para fazer face às despesas cotidianas mais básicas. Imaginava-se, diante disso, que haveria dificuldades de encontrar gente corajosa o suficiente para se dispor a assumir o desafio de ir à luta como candidato. A questão, porém, é que muito do que está em jogo e em discussão lança o foco para mais adiante, já envolve com muita clareza a briga pelo poder em nível estadual, numa espécie de atropelo do calendário político natural.

Olhar para Fortaleza é uma forma de entender a movimentação de agora, mas o mapa político em configuração apresenta-se muito mais abrangente. Sobral, por exemplo, terá uma disputa a ser acompanhada com atenção porque interesses específicos atuais, de quem é governo e de quem é oposição, fornecerão elementos extras e com potencial de repercutir sobre outros cenários. Trata-se, afinal, da base política dos ex-governadores Ciro e Cid Ferreira Gomes, que podem lançar um terceiro irmão, o deputado Ivo, para manter o controle referencial de onde começaram a trajetória que trouxe aos vitoriosos dias de hoje. A preço, desculpando a redundância, de hoje.

Uma derrota na disputa pela prefeitura de Sobral e com um Ferreira Gomes diretamente envolvido nela, seria desastrosa aos planos políticos futuros, especialmente de Cid, o mais consciente do quadro entre os irmãos e que atua de maneira mais forte na construção de uma aliança que diminua os riscos. É a mesma motivação, no sentido contrário, que leva o senador Eunício Oliveira, presidente do PMDB cearense, a acompanhar o que envolve a eleição sobralense com atenção especial.

 

Eunicio, aliás, sentiu o peso, quatro anos atrás, de ser derrotado na sua base local, a pequena Lavras da Mangabeira. No caso, politicamente, um reduto muito menos expressivo do que Sobral, mas que ganhou relevância pelos vínculos do senador à prefeita derrotada na época, irmã dele e que tentava emplacar um aliado como sucessor. A dimensão que o município ganha é política, não tem a ver com os recursos financeiros mobilizados, o tamanho do colégio ou outro dado de aferição numérica. Este, porém, é um cálculo que o bom político precisa saber fazer, sempre.

 

Por exemplo, o governador Camilo Santana, que se enrola com a situação de Fortaleza porque deverá ser contrariado no desejo de ver o PT apoiando a reeleição do pedetista Roberto Cláudio, prevalecendo a tese de candidatura própria da deputada federal Luizianne Lins, enxerga 2016 a partir, prioritariamente, do que pode acontecer no circuito Crato-Juazeiro-Barbalha, a popular região do Crajubar. Nascido em Crato, criado em Barbalha, seria útil ao futuro de Camilo, até como governador, que ele fosse capaz de demonstrar força onde conhece e é conhecido. É do bê-á-bá da cartilha.


O fechamento das urnas de uma eleição dá a senha para o político começar a pensar na próxima, conforme funciona o calendário próprio da política real, o que torna justificável que uma boa parte dos movimentos de 2016 já indiquem, na verdade, os primeiros passos de 2018. Pode parecer incompreensível para alguns, mas é uma necessidade quase de sobrevivência para muitos.

 

 

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