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Temer luta pelo controle do PMDB

12:00 | 09/12/2015
O que está em questão na carta-bomba de Michel Temer para a presidente Dilma não é apenas seu enfraquecimento como vice-presidente. A conjuntura o fez perder Poder no próprio PMDB. Há uma disputa velada pelo controle do partido. O fortalecimento da família Picciani, que deve herdar o terceiro ministério em dois meses, pode fazer crescer Sérgio Cabral ou Jorge Picciani, pai do líder Leonardo. Os cariocas surgem como cotados a presidir o PMDB. O clima tenso começou com a passagem de Lula há dias pelo Rio, onde conversou com Cabral e o governador Pezão sobre este cenário.

Rasante mineiro
Com ministérios, Leonardo Picciani vai conquistando diretórios. O escolhido para a Aviação Civil é o deputado Newton Cardoso Junior, filho do ex-governador de MG.

Dia D
Eduardo Cunha acolheu o pedido de impeachment após fazer as contas. No seu esboço, com votos da oposição – que reconquistou – consegue se safar no Conselho de Ética

Magoei
Michel Temer era aliado de Dilma até o vazamento da carta na noite de segunda. Ele não se exporia tanto para se humilhar, diz aliado próximo. Queria um afago e poder.

Cadê os 300!?
Os ministros palacianos – Edinho Silva (Secom), Jaques Wagner (Casa Civil) e Berzoini (Governo) acompanharam estupefatos pelas TVs no Planalto o placar a favor da chapa de oposição que instalou a comissão especial de análise do pedido de impeachment da presidente Dilma. Descobriram que não têm os 300 deputados ‘fiéis’.

Mamãe Noel vem aí
A ordem no Planalto é abrir o cofre das emendas e liberar mais cargos represados em estatais nos Estados para os deputados ‘indecisos’ – isso ocorreu nos últimos dois meses, sem sucesso, pelo que se vê. Mas Dilma respira. Pelo regimento, a oposição precisa de 342 votos contra ela em plenário para o processo avançar para o Senado.

Temer na mira
O alvo de parte da oposição também é o vice Michel Temer. “Pau que bate em Chico, bate em Francisco”, diz o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ao defender o impeachment do vice por ele ter assinado decretos das ‘pedaladas fiscais’ alvo do TCU.
Será ?

Visivelmente surpresa com o tom da carta do vice-presidente Michel Temer, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) desabafou: “Não há clima para mágoas.”

Para entender
O pedido de impeachment de Dilma se baseia, em suma, na triangulação de verbas oficiais: ela tirou dos bancos estatais para cobrir programas sociais e pagamentos.

Mico
O governista Sílvio Costa (PTB-PE) tentou, esbaforido, obstruir a abertura da votação sobre a comissão do impeachment. Correu ao microfone e chutou: “Pela Ordem, Artigo 96!”. Cunha, que lia o rito, sem olhar para ele: “Não existe o 96”. E continuou.

Ex-amigo é F!
Na linha tênue entre a fidelidade ao Planalto e a posição de líder do PMDB por um fio, Leonardo Picciani passou a terça dizendo que “fica” e tem confiança da maioria da bancada. Circula que o ex-aliado Eduardo Cunha quer sua cabeça na bandeja.

Day after
O clima de incerteza sobre o futuro predomina no Congresso. Indagado se a explosiva carta de Temer abriria planejamento de novo Governo, um senador de oposição tergiversou em inglês básico: “O day after é incerto.”

Mantra no PMDB
Virou mantra no partido o termo “é pessoal”. É citado por aliados de Temer quando questionados sobre a carta-bomba. Ao chegar sorridente ao Senado ontem, Renan Calheiros (PMDB-AL) minimizou: “Não é um desabafo coletivo. É pessoal.”

Dinheiro sumiu
Em crise institucional, com o presidente afastado pela Justiça, a Assembleia Legislativa do Amapá não paga salários de deputados e servidores há quatro meses.

Barrados no baile
Berzoini e Dilma barraram os nomes dos deputados Benito Gama e Cristiane Brasil na composição da chapa governista para a comissão do impeachment. Viraram opositores.

Ponto Final
“Não poderia haver melhor boca de urna para a oposição”
De Paulinho da Força (SD-SP), opositor, após as quatro urnas quebradas por petistas no plenário.

Com Equipe DF, SP e Nordeste
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