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Aterrissagem forçada

12:00 | 01/08/2015
Em processo de desmonte pelo próprio Governo federal, a Infraero, que perde gradativamente seus principais e mais lucrativos aeroportos para a iniciativa privada, ainda se vê enquadrada pelo Tribunal de Contas da União. Obrigada a realizar o Programa Especial de Readequação do Efetivo, diante do novo cenário na União, a direção da estatal margeia a insensatez administrativa.

Pelo programa, oferece opção de funcionários de idade mínima de 40 anos, com 10 anos de casa, se aposentar precocemente. Em outras frentes, forja por conta própria um céu turbulento na sua rota: regalias para ex-diretores se manterem com bons salários em cargos especiais; requer há mais de um ano na Justiça o despejo do Aeroclube do Brasil, em dois hangares do Aeroporto de Jacarepaguá (RJ), fundado por ninguém menos que Alberto Santos Dumont; e em meio à crise de caixa, aluga por R$ 320 mil mensais (a proposta inicial era R$ 500 mil!) um hangar da falida Transbrasil, para onde quer direcionar seus funcionários bem acomodados onde hoje estão – um dos prédios é sede própria e será esvaziado.

A grita da ANEI – Associação Nacional de Empregados da Infraero começa a surtir efeito. Foi motivada pela entidade que o TCU cercou a diretoria da empresa. A Infraero respondeu no último dia 28 os requerimentos do tribunal administrativo. O diretor de Planejamento, Mauro Roberto, dá o sinal de que a cúpula começa a entender o recado da base, na explicação enviada aos ministros:

‘Finalmente, devido à importância do assunto e à relevância das recomendações do TCU, principalmente no que se refere ao esforço financeiro necessário para calibrar a força de trabalho da Empresa ao novo contexto de Aeroportos sob sua administração, é importante enfatizar aos auditores a necessidade de realização de reuniões com os gestores desta Empresa, de modo a propiciar o ambiente adequado para os esclarecimentos que se fizerem necessários quanto à situação atual da Infraero e aos desdobramentos dos custos de pessoal, inclusive em relação ao enquadramento como empresa não dependente frente à Lei de Responsabilidade Fiscal’.

O trecho acima encerra o Memorando nº 10.644 enviado a Cleudes Flauzino Garcia, superintendente de Auditoria Interna da Infraero, sobre o Ofício de Diligência nº 387/2015 enviado pelo TCU, ao qual a Coluna teve acesso.

O fim da megalomania

Era uma vez a megalomania Lulista com o dinheiro alheio – o do sofrido povo brasileiro. Surfando na onda da popularidade internacional, com o Brasil assegurado falsamente contra uma crise na economia, o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva queria ser o faraó das Américas.

Com dinheiro em caixa, a descoberta da camada pré-sal de petróleo – que renderia bilhões e bilhões em venda – o petista anunciou uma série de mega obras País afora, também orçadas em bilhões de reais ou dólares. O trem-bala Rio-São Paulo, o gasoduto Venezuela-Brasil, a refinaria Abreu e Lima (em parceria com o governo de Hugo Chávez, que pulou fora), etc etc.
Com exceção da refinaria, que cresce sob a lama do Petrolão suprapartidário, o restante (e pouco foi citado aqui) ficou na lábia.

Os novos horizontes herdados por Dilma Rousseff, aliados à incompetência de seu governo, trataram de enterrar as obras faraônicas do antecessor.

Sobram tubarões

Nem água de tempestade consegue encher os mega Aquários com fins turísticos, com as obras paralisadas em Fortaleza (CE) e Campo Grande (MS), promessa dos então governadores Cid Gomes e Andre Puccinelli, respectivamente. Por baixo, uns R$ 300 milhões jogados na lama dos canteiros.

Cid é o ex-ministro da Educação para quem ‘professor deve trabalhar por amor, não por dinheiro’. O ítalo-brasileiro Pucinelli certa vez chamou um crítico da pesca predatória de ‘aquele veado pantaneiro’ – tratava-se do ministro do Meio Ambiente, o ecologista Carlos Minc.

Se o canteiro das duas obras falasse, a humanidade descobriria que aquário é para lambari, e sobram tubarões metamoforseados em terra.

Com Equipe DF, SP e Nordeste
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