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Justiça para Dilma

12:00 | 26/07/2015

É preciso reconhecer que a mulher mais mal falada da nação brasileira, abandonada pelo mentor, pouco defendida pelo próprio partido e com a cara na vitrine apanhando diariamente, mas firme no posto, tem ‘culhão’ – com o respeito da licença poética. Fato é que a presidente da República, diante de todos os defeitos expostos como gestora, e pela equipe incompetente em parte da Esplanada, tem seu mérito por peitar quem a tenta manipular, e dizer o que pensa.


Dois episódios marcam este seu perfil, um deles ocorreu há poucos dias, na Cúpula do Mercosul. Fez o ditador civil da Venezuela, Nicolás Maduro, deixar Brasília pisando firme e soltando baforadas de charuto bem irritado no seu jatinho. O que se falou no Itamaraty é que, por um erro do cerimonial, ela o fez esperar por três intermináveis minutos enquanto recebia o presidente da Guiana Francesa, em litígio com a Venezuela por limites marítimos – as reservas de petróleo explicam.

Mas Maduro, contam fontes venezuelanas, saiu marchando mais cedo de Brasília, numa nítida descompostura à anfitriã, porque ouviu dela uma frase incômoda durante a reunião, dita aos holofotes: ‘Não há espaço para aventuras antidemocráticas na América Latina’. Os chaviztas indicaram que foi um recado para o seu presidente, que arrebenta populares que o criticam, e prende opositores pelo simples fato de serem opositores. Ao contrário do ex-presidente Lula, Dilma dá sinais de que não será complacente com o desgoverno dos vizinhos.

Outro que ela peitou foi o próprio Lula. Ele queria se candidatar a presidente em 2014, a despeito da saúde frágil, esperou um sinal dela, não tocaram no assunto, mas Dilma fez de conta que não entendeu. Começaram então as críticas dele a ela, no circuito do PT. A situação política e a amizade desandaram quando ela soltou um ‘não vai ficar pedra sobre pedra’ durante a festa no dia da sua eleição. Era um recado para Lula, dizem seguidores da presidente, sobre os desmandos dele na Petrobras. Àquela altura, a Lava Jato já esculhambava parte da sua base e chegava à porta do Palácio. Lula saiu da festa cuspindo fogo. E assim, desde então, veio à tona a insatisfação dele com a apadrinhada no cargo, e também a guerra entre lulistas e dilmistas.

Essa briga entre os dois começou em abril de 2013, quando Dilma elevou Graças Foster a presidente da Petrobras e a incumbiu de fazer a limpa na estatal antes que fosse tarde. Graças demitiu Paulo Costa e Renato Duque. A Lava Jato os prendeu um ano depois. Mas já era tarde.

Um dia os livros de História talvez façam Justiça para Dilma. O PT começa a desconfiar de que a senhora que instituiu a delação premiada possa ser a principal personagem de uma, na maior operação policial e judicial do Brasil.

Classificados

Uma pequena prova de onde se metem os bilionários fundos de pensão estatais, com investimentos altos nem sempre resultando em retornos fáceis ou rápidos – e que cubram o que foi investido.

Há mais de um ano, o Centrus, fundo do Banco Central, tenta vender dois imóveis de sua carteira. Pede R$ 18 milhões pelo Shopping DC em Navegantes (SC) – um preço até razoável, diz um empresário do setor -, e mais de R$ 50 milhões por um edifício empresarial de 15 andares, com cinco de garagem, erguido em Porto Alegre.

O Centrus é um fundo com gente séria. Onde não há relatos de roubalheiras ou suspeita de larápios no Conselho a exemplo de outros fundos.

A morte da Pororoca

Ninguém sabia. Com tanta crise social (de segurança pública), política e econômica, alguém se deu o trabalho de descobrir rumores de que a Pororoca morreu. Trata-se (ou tratava-se) de um fenômeno natural que, num País sério, seria alçado a Patrimônio Imaterial.

Fato é que o deputado André Abdon (PRB-AP) tratou de alertar para o caso. Ele solicita a realização de Audiência Pública para debater ‘as causas que levaram a extinção do fenômento da Pororoca no Rio Araguari, no Amapá, com a presença de representantes do ICMBio, do Ministério Público Federal, dos Pecuraristas da região e da Eletrobrás Eletronorte’.

Não será surpresa se descobrirem que a Pororoca saiu do Amapá, passou por Brasília e levou correnteza abaixo toda a credibilidade do Governo e do Congresso.

Com Equipe DF, SP e Nordeste
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