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Ceará
São Gonçalo

Funcionário de restaurante na Taíba teria morrido após pedir para criminosos não atirarem

Expediente da pizzaria já estava encerrado no momento do crime. O empresário Daniel Madrugão tinha passagem por estelionato

16:00 | 11/10/2018
Fachada do estabelecimento após o crime
(Foto: Rubens Rodrigues/O POVO)
Passava de meia-noite quando os vizinhos acordaram com barulho de tiros. Alguns correram para a porta para tentar entender o que havia acontecido, mas o medo de sair na rua era maior. A morte do empresário Daniel Vidal Mota, 49, o Daniel Madrugão, e do garçom Elvis Alexandre Moura, 24, à 00h40min desta quinta-feira, 11, assustou os moradores da turística Praia da Taíba, lugar conhecido pela tranquilidade. 

Eles se preparavam para fechar a Mass House Madrugão Pizzaria, estabelecimento aberto há cerca de oito meses na avenida Cap. Inácio Prata, 28, área central da Taíba - distante 62 km de Fortaleza. Os clientes que normalmente assistem às partidas de futebol das quartas-feiras haviam deixado o local minutos antes do crime. O Madrugão funcionava seis dias na semana. Na terça-feira anterior havia sido a folga dos funcionários.

A cozinha do estabelecimento já estava fechada, segundo conta uma testemunha. Na calçada, Elvis tomava água de coco na companhia do chefe quando os criminosos chegaram em um veículo inicialmente identificado como um “Fiat preto” e perguntaram pelo dono da Hilux estacionada na frente da pizzaria. O veículo era de Daniel, que foi alvejado em seguida. 

Conforme moradores ouvidos pelo O POVO Online, Elvis teria sido morto após pedir para os criminosos não dispararem. “Ele pediu pra não matarem o patrão, mas nessas horas ninguém diz nada”, afirma uma das pessoas ouvidas pela reportagem. “Ele era de uma família trabalhadora”.
 
Marcas de tiro na parede do estabelecimento
(Foto: Rubens Rodrigues/O POVO)

“O Madrugão (Daniel) era boa pessoa. Aqui não tinha enxame nem em dia de jogo, nunca teve nenhuma movimentação diferente”, diz uma das fontes ouvidas pela reportagem. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que Daniel tinha passagem pela Polícia por estelionato. Já Elvis Alexandre não tinha antecedentes criminais.

O ponto alugado amanheceu sujo de sangue nesta quinta-feira. No chão, nos portões e nas paredes, 11 marcas de tiro.

À 00h50min, a Polícia foi acionada. O primeiro atendimento foi feito pela Delegacia Metropolitana de Caucaia, mas o caso é investigado pela Delegacia Metropolitana de São Gonçalo. Nas primeiras horas após o crime, equipes da Polícia Militar fizeram buscas na região, mas ninguém foi preso até a publicação desta matéria. O delegado titular da Delegacia de São Gonçalo, Eduardo Coutinho, afirma que está descartada a hipótese de latrocínio, já que nenhum objeto foi subtraído das vítimas. “Trata-se de uma execução”. 
 
 

RUBENS RODRIGUES