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Óbitos com suspeita de chikungunya são investigados em Quixadá

Com o aumento do número de óbitos suspeitos de chikungunya, a Secretaria deve intensificar as campanhas educativas nas escolas e residências da cidade

12:20 | 07/06/2016

Chega a 892 o número de casos notificados de febre chikungunya neste ano, em Quixadá, a 158 km de Fortaleza. Até o momento, estão confirmados 18 casos, mas o aumento de pessoas com os sintomas da doença na cidade preocupa a população. A Secretaria de Saúde Municipal investiga 16 casos de óbitos da febre e intensifica campanhas educativas.

O último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) aponta que foram notificados 10.373 casos suspeitos de chikungunya no Ceará. O número de notificações de chikungunya pode ser ainda maior em Quixadá, explica a secretária de saúde da cidade, Ângela Brenna Calixto.

"Tem muita subnotificação porque as pessoas acabam se medicando em casa. A pessoa liga pra farmácia, eles já passam o medicamento. Não é certo, só depois dos dez primeiros dias a pessoa pode tomar corticóides. Outra questão é que desses casos suspeitos, os pacientes tiveram ainda complicações sem relação com a febre, como diabetes compensada", afirma ela.

Com o aumento do número de óbitos suspeitos de chikungunya, a Secretaria deve intensificar as campanhas educativas nas escolas e residências da cidade. "Vamos iniciar o projeto '10 minutos contra o mosquito', com palestras sobre os cuidados para a prevenção e também sobre os riscos da automedicação", frisa a secretária.

A chikungunya é uma das viroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da dengue e da zika. Os sintomas podem ser confundidos, mas a principal diferença, conforme o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Anastácio Queiroz, são as dores nas articulações.

"As dores articulares e a febre alta levam a uma hipótese de chikungunya, enquanto a dengue é muito mais caracterizada pela dor no corpo", explica ele. De acordo com Queiroz, a dengue mata muito mais porque tem formas mais graves, como a hemorrágica. "A cada mil pessoas com a chikungunya , uma morre. Evidentemente que a dengue mata mais, mas a febre é uma doença que maltrata bastante, pode levar a doenças neurológicas, como encefalite", destaca.

Em Quixadá, 80% dos focos do Aedes são registrados em residências, conforme Brenna. A complicação maior sobre a quantidade de óbitos suspeitos deve-se ao fato da chikungunya ser uma doença nova. "Cada um chega com um sintoma diferente. Tem os sintomas clássicos como dor de cabeça, febre, dos nas articulações, mas chega gente vomitando, por exemplo. Toda a unidade de saúde municipal está equipada com soro e com os medicamentos necessários. As pessoas devem ir ao médico", completa a secretária.

A incidência da febre por 100 mil habitantes, em Quixadá, é de 21,1, uma das maiores do Estado. Apesar do alerta na cidade, a incidência é mais crítica em Fortaleza (68,5), São Gonçalo do Amarante (57,1), Icapuí (87,5), Tauá (48,5) e Jaguaruana (38,5). Os dados foram divulgados no último Boletim Epidemiológico da Sesa, na sexta-feira, 3. Conforme o relatório, a média de idade de maior incidência dos casos confirmados foi entre 51 e 60 anos de idade.

Além de chikungunya, Quixadá teve cerca de 2.366 notificações de dengue, de acordo com o boletim da Sesa. Até o momento, 63 casos foram confirmados. “Para zika, temos 38 casos suspeitos, mas nenhuma confirmação ainda”, relata Brenna.

A Sesa informa que, em apoio aos municípios, realiza a liberação do fumacê e distribui telas para as caixas d'água. Em Quixadá, o fumacê será utilizado novamente em 2.625 quarteirões do até o próximo dia 17 de junho. O fumacê também esteve no município em abril, entre os dias 11 e 23.

Para a cidade, foram liberadas 23 rolos de telas, quantidade suficiente para proteger 575 caixas d`água, que são os principais criadouros do mosquito nos municípios.
Cuidados
"Evitar a proliferação do vetor é o principal, um desafio que ainda não tivemos muito sucesso no Brasil. Os casos têm aumentado, e a grande questão é que todos estamos suscetíveis", explica Anastácio Queiroz.

Após o quadro agudo de chikungunya , é necessário evitar o uso exagero de antiinflamatórios. "Aliviam a dor, mas tem uma série de efeitos colaterais relacionados ao estômago, aos rins", cita.

Segundo o médico infectologista, as pessoas devem usar analgésicos no lugar de outros medicamentos com efeitos colaterais.

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