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Pedra da Galinha Choca ganha "lágrima" em protesto contra a cultura do estupro

Pesando cerca de 20 kg, a faixa em brim levou seis horas para ser produzida. Ação é "lágrima de resistência" contra a cultura do estupro

19:10 | 31/05/2016
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Um grupo de escaladores se manifestou sobre o caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 16 anos, ocorrido no Rio de Janeiro. A intervenção política "Galinha por elas", realizada no último domingo, 29, levou uma faixa branca com os dizeres "30 filhos do patriarcado" para a Pedra da Galinha Choca, em Quixadá, a 158 km de Fortaleza.
 
A faixa colocada no monólito símbolo do município é, de acordo com a organização, uma "lágrima de resistência" contra a cultura do estupro e o patriarcado "que mata e coisifica as mulheres todos os dias".

Conforme página no Facebook, que leva o nome do movimento, a faixa de 30 m foi feita em brim para resistir à abrasão da rocha e ao vento. Cada letra tinha pelo menos 1 m de altura e o processo de produção da faixa levou mais de 6 horas para ser finalizado.
 
Pesando cerca de 20 kg, a faixa foi ancorada diversas vezes com madeira e corda nos cristais e fissuras da rocha, mas o vento acabou tirando a "lágrima" do local.
 
Informações preliminares apontavam para a suspeita de acidente no local e teria mobilizado a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, mas os órgãos negaram que tenham sido acionados.  
 
Leia a nota do grupo sobre a iniciativa na íntegra: 
 
"POR TODAS ELAS – INTERVENÇÃO POLÍTICA NA PEDRA DA GALINHA CHOCA
 
No último domingo, 29 de maio de 2016, um pequeno, porém bravo e engajado grupo de escaladoras e escaladores do Ceará fizeram uma intervenção artística e política na Pedra da Galinha Choca, ícone do Sertão Central do Estado do Ceará. A famosa rocha representa uma mãe que cuida e prepara suas filhas e filhos para o mundo, mas quando abre as asas, será que o mundo está preparado para acolher essa ninhada?
 
Galinha por Elas: não foram 30 contra uma, foram 30 contra todas!, foi uma intervenção performática, efêmera e reversível: uma faixa de 30 metros de altura foi fixada utilizando os cristais, fissuras e reentrâncias existentes na própria Galinha Choca. A ação foi uma resposta ao grito engasgado na nossa garganta após a notícia do estupro de uma mulher no Rio de Janeiro por 30 homens que ainda se vangloriavam disso nas mídias sociais. Estuprar uma mulher é estuprar todas elas!
 
Sim, o estupro é abominável, abala o corpo e esmigalha o espírito. Em 2014, foram mais de 50.300 registros de mulheres estupradas no país – e ainda tem as que não prestaram queixa. Isso é revoltante, não há dúvidas. Junto com o feminicídio (quase 2,5 mil mulheres foram assassinadas em 2013 por parceiros e ex-parceiros), são os piores pesadelos das mulheres.
 
Gostaríamos, todavia, de lembrar que o estupro, assim como o assassinato de mulheres por ciúmes e possessividade, não é feito por homens monstruosos ou que estão fora das suas perfeitas faculdades mentais. Infelizmente, tanto quanto os pequenos atos cotidianos, os estupradores são moldados pela sociedade machista na qual todos estamos inseridos, por isso dizemos: os 30 estupradores são filhos saudáveis do patriarcado.
 
O patriarcado é um conjunto de valores que organiza a sociedade e cria condições para beneficiar o homem em detrimento da mulher. Parece um conceito atrasado para os nossos dias, nos quais as mulheres desempenham tantos papéis importantes na sociedade. Mas, infelizmente, é o que as mulheres vivenciam cotidianamente, com maior ou menor intensidade, e de forma direta, como a submissão diante de um pai duro, a possessividade de um marido ciumento ou os mais horrendos estupros e assassinatos.
 
Mas acreditamos que a forma indireta do patriarcado se manifestar no nosso cotidiano é, talvez, a mais complicada de ser enfrentada por ser muito difícil de ser reconhecida. E ela vai se entranhando na nossa cultura sem sequer permitir que homens e mulheres percebam as facetas no machismo de cada dia na nossa fala, na nossa música, na nossa piada de bar, no nosso esporte, na nossa casa.
 
As maneiras veladas de submeter e de tratar as mulheres como objetos de desejo alheios à sua própria vontade são pequenas contribuições no processo de ‘formação’ de estupradores e assassinos de mulheres. E para piorar, muitos ainda julgam denúncias de machismo como bobagem e exagero de feministas.
 
Por isso gritamos:
Não foi contra uma, foi contra todas!
Abaixo o patriarcado!
Machistas não passarão!
Por todas elas".
 
Redação O POVO Online
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