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Barragem de Jati: montagem errada de válvulas por empresa rompeu tubulação, aponta relatório final da perícia

Empresa responsável pela montagem das válvulas da barragem de Jati pode ser acionada judicialmente caso necessário. Conciliação para a reparação de danos será feita

Matheus Facundo
21:33 | 01/12/2020
Durante todo o domingo, caminhões do MDR transportaram rochas e materiais de construção até a barragem (Foto: Fabio Lima)
Durante todo o domingo, caminhões do MDR transportaram rochas e materiais de construção até a barragem (Foto: Fabio Lima)

Nesta terça-feira, 1º, mais de três meses após o rompimento de parte da tubulação da barragem de Jati, que recebe águas da transposição do Rio São Franscico no Ceará, foi divulgado relatório final da perícia, indicando erro da empresa de obras. Documento aponta falha na montagem de um conjunto de válvulas, que acabou com vazamento no reservatório, deixando a Cidade em estado de alerta e cerca de 2 mil pessoas evacuadas à época, em agosto.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), será aberto um processo administrativo para calcular os danos e prejuízos e a Advocacia Geral da União (AGU) será acionada. O consórcio CMT/FAHMA, responsável pelas intervenções, será chamado para conciliação de reparação de danos e, caso necessário, os envolvidos serão acionados judicialmente.

"A operação da válvula esférica, cuja instalação e posterior operação não ocorreu de acordo com as normas e padrões determinados pelo próprio fabricante, ocasionou o seu fechamento inoportuno e, como consequência, o transiente hidráulico que superou os valores de projeto, levando ao colapso do conduto de concreto. A sequência de falhas aponta para um somatório de erros cometidos na operação da barragem, sob responsabilidade do consórcio CMT/FAHMA, à época do incidente", aponta o Ministério.

Além da montagem incompleta, a perícia aponta que a atividade de comissionamento, crucial para a segurança da barragem, não foi realizada. É nesta fase que ocorre a pré-operação, onde se verificam todas as possíveis falhas que pudessem ter ocorrido em fases anteriores: "Falhas nas fases/atividades de montagem e comissionamento do conjunto de válvulas (esférica e dispersora) impactaram para as condições seguras de Operação da Barragem Jati". Às 21h37, O POVO tentou procurar o consórcio para comentar o caso por meio de números de telefone fornecidos em sites na internet, mas não obteve retorno.

O rompimento da tubulação da barragem de Jati

Uma tubulação de barragem que recebe água da transposição do Rio São Francisco se rompeu no dia 21 de agosto em Jati, interior do Ceará. De acordo com informações da Secretaria de Recursos Hídricos (SHR), a captação que leva água para comportas, como a do Brejo Santo, teve o encanamento estourado e assustou moradores. Cerca de 2 mil pessoas de suas casas em um raio de dois quilômetros ao redor do reservatório foram evacuados. O MDR destinou R$ 100,6 mil em auxílio para os moradores afetrados.

A ruptura ocorreu um dia após a comporta do reservatório ser acionada para liberar as águas do São Francisco para o abastecimento do Estado. O presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) chegou a vir ao Estado para acionar a comporta do Eixo Norte, em junho deste ano, liberando água da transposição do São Francisco ao Ceará. No acionamento da comporta de Jati, no entanto, o chefe do Executivo não esteve presente e mandou em sua representação o Ministro da pasta.