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Garota levou armas usadas na chacina em cadeia de Itapajé, diz delegado

Adolescente é companheira de um dos internos. Segundo o policial civil, a disputa entre os detentos foi intensificada pela superlotação na unidade prisional

19:37 | 02/02/2018
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Uma adolescente, de idade não revelada, foi a responsável por levar e entregar "em mãos" a um detento as armas usadas na chacina em Itapajé, a 124 quilômetros de Fortaleza, na última segunda-feira, 29. Na ação, dez presos foram assassinados a tiros por outros internos.

Segundo o delegado da cidade, André Firmino, a menina é a companheira de um dos prisioneiros que arquitetou a ação. O policial civil reconheceu que as facções envolvidas na barbárie foram as mesmas que executaram as 14 pessoas no massacre das Cajazeiras, no último sábado, 27, na maior chacina da história do Ceará. Contudo, descartou que haja relação entre os dois crimes.

Superlotação acirrou tensão

Conforme o delegado, a superlotação na unidade prisional acirrou o conflito entre as duas organizações criminosas de tal forma que resultou na matança. Havia 84 presos, divididos em cinco celas, onde deveriam estar 40 pessoas, no máximo. Para reforçar a tese da guerra interna, Firmino revelou ainda que as mortes no município poderiam ter ocorrido na sexta-feira, 26, antes mesmo da série de mortes no Forró do Gago, em Fortaleza.

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Segundo ele, a adolescente foi coagida pelo parceiro a ir até um membro da facção e receber uma encomenda. No “pacote”, envolto em um pano, estavam dois revólveres e cerca de 40 cápsulas intactas. Na quinta-feira, 25, ela tentou levar os materiais até a Cadeia Pública, mas, quando chegou ao local, avistou carro de polícia e recuou. No domingo, 28, a garota voltou à unidade.

Armas entraram um dia antes do crime

Após o jantar, por volta de 18 horas, a menina, que revelou a ação em depoimento ao delegado, aproveitou o momento que o único agente penitenciário trabalhando no local foi à sala de descanso e entregou as armas “em mãos a um detento”. “Era um preso que tinha trânsito livre, ele ficava no ambiente de entrada e na cozinha trabalhando para remir a pena, como prevê a Lei de Execução Penal”, explicou Firmino.

Já em posse do pacote, os internos de uma das facções planejaram a ação para a primeira oportunidade: o banho de sol, no dia seguinte. Por volta de 8 horas de segunda-feira, 29, o delegado ouviu os disparos na Cadeia e chegando ao local os presos ainda estavam em conflito. “Colocamos os internos nas celas, isolamos o local e socorremos os feridos”, disse. Na revista, as duas armas foram descobertas, além de 17 cápsulas intactas. Elas foram encaminhadas à Perícia.

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De acordo com o delegado, foram ouvidas 28 pessoas entre o dia do crime e a última quinta-feira, 1º, entre autores da chacina, sobreviventes e familiares. “Está delineado que foi um conflito interno. E não houve qualquer envolvimento de agente públicos”, ressaltou. Após o crime, 46 presos foram transferidos para complexos prisionais na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Atualmente, há 23 pessoas na cadeia.

Oito detentos foram indiciados pela matança. A menina que levou as armas foi ouvida e liberada. Segundo o delegado, ela deve responder ato infracional pela participação.

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