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Cativeiro para soltura de peixes-bois reabilitados após encalhe recebe os primeiros animais no Ceará

Após quase sete anos em recuperação Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos (CRMM), em Caucaia, os animais passarão pelo menos seis meses em readaptação antes de serem liberados

Matheus Facundo
16:17 | 30/06/2020
Peixes-bois Alva e Maceió são os mais velhos do Centro de Reabilitação e os primeiros a serem levados ao cativeiro de aclimatação para soltura (Foto: Divulgação/Aquasis)
Peixes-bois Alva e Maceió são os mais velhos do Centro de Reabilitação e os primeiros a serem levados ao cativeiro de aclimatação para soltura (Foto: Divulgação/Aquasis)

Após terem encalhado no mar e passarem quase sete anos sob os cuidados de profissionais do Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos (CRMM), em Caucaia, os peixes-bois Alva e Maceió deram o primeiro passo em direção à volta ao seu habitat natural. Os animais foram transportados na madrugada desta terça-feira, 30, para o primeiro cativeiro de aclimatação para peixes-bois do Ceará, construído na Praia da Peroba, em Icapuí, no litoral leste, pela Organização Não Governamental (ONG) Aquasis com apoio do Projeto Manati, vinculado à entidade.

O cativeiro consiste em um tanque-rede acoplado a uma estrutura flutuante e funciona como meio de readaptação dos mamíferos ao convívio no mar, depois de terem passado pelo período de reabilitação em tanques aquáticos. De acordo com a Aquasis, a estimava é que Alva e Maceió permaneçam no local por pelo menos seis meses antes de serem soltos. Eles eram os mais velhos do CRMM e são os primeiros a irem para o cativeiro de aclimatação. Com a saída deles, o Centro conta agora com 13 peixes-bois à espera da soltura.

A translocação dos animais foi feita durante a madrugada por equipe especializada de biólogos, veterinários, tratadores e voluntários, divididos em duas equipes. Comboio saiu do Sesc Iparana, onde é localizado o CRMM e o Projeto Manatí, voltado para a proteção da vida marinha. A ação faz parte das estratégias de conservação adotadas pela Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis).

O processo foi viabilizado com patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental e apoio do SESC Ceará e Sistema Fecomércio. A preparação incluiu medidas de segurança e desinfecção para proteção contra o coronavírus. A ação contou com apoio da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Sema), da Polícia Militar do Ceará, do Corpo de Bombeiros e da Capitania dos Portos.

Em Icapuí, educadores ambientais da Aquasis montaram uma tenda para tirar as dúvidas de moradores da região explicando o processo e oferecendo dicas para que eles possam ser agentes de contribuição com a preservação do peixe-boi marinho.

A implementação do cativeiro de aclimatação para peixes-bois marinhos foi iniciada no ano passado, se mantendo em fase de testes durante 2019. Dentre as estratégias para a conservação do peixe-boi-marinho estão ações de resgate, reabilitação e soltura, pesquisas, desenvolvimento de políticas públicas e educação ambiental.

Confira galeria de fotos do transporte:

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Preservação

Com esforços para preservar o peixe-boi desde 2001, quando foi inaugurado o centro de reabilitação, que depois foi expandido em 2012 funcionar como uma espécie de hospital para os animais, possibilitando uma completa recuperação, a Aquasis iniciou a implementação do cativeiro de aclimatação no ano passado. Durante 2019, a estrutura, construída para promover a volta de um dos mamíferos marinhos com maior risco de extinção no Brasil ao seu ambiente natural, permaneceu em fase de testes.