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Suspeito de matar técnica de enfermagem foi preso após fugir para São Paulo e não conseguir emprego

Maria Gomes de Lima voltava de um expediente de trabalho quando foi atingida por disparos de arma de fogo. Ela estava com o filho

11:55 | 01/12/2020
Marciliano Ribeiro, delegado adjunto do Departamento de Polícia Judiciária especializada, e Marcos Aurélio Elias de França diretor de polícia judiciária do interior Norte do Ceará durante coletiva sobre a prisão do homem suspeito de matar uma técnica de enfermagem em Crateús

 (Foto: Foto: Angélica Feitosa)
Marciliano Ribeiro, delegado adjunto do Departamento de Polícia Judiciária especializada, e Marcos Aurélio Elias de França diretor de polícia judiciária do interior Norte do Ceará durante coletiva sobre a prisão do homem suspeito de matar uma técnica de enfermagem em Crateús (Foto: Foto: Angélica Feitosa)

Preso nessa segunda-feira, 30 de novembro, o suspeito de matar a técnica de enfermagem Maria Gomes de Lima, de 43 anos, chegou a fugir para São Paulo após o crime. Ele retornou para o Ceará quando não conseguiu emprego na capital paulista. Após a prisão, realizada na manhã desta segunda-feira, 30 de novembro, João Vieira Cavalcante Júnior deve responder por feminicídio. Já na delegacia, ele teria confessado ter matado a companheira por ciúmes e insatisfação pelo fim do relacionamento. 

A informação foi divulgada no fim da manhã terça-feira, 1º, pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em coletiva de imprensa na sede da Superintendência da Polícia Civil.

João Vieira Cavalcante Júnior, de 45 anos, foi capturado no bairro São José, em Crateús, Interior do Estado, 100 dias após a morte de Maria Gomes de Lima, 43. Conforme a Polícia Civil, o suspeito era ex-companheiro de Cláudia, com quem tinha um filho. E ele já respondia por outra tentativa de feminicídio.

Matheus Araújo, delegado regional de Crateús, informa que o suspeito, logo após assassinar a vítima na frente de um dos filhos do casal, fugiu para a região de mata de Crateús e permaneceu por lá durante 70 dias. “Ele costumava transitar por algumas regiões de Crateús, onde ele recebia apoio familiar”, conta, acrescentando que João ficava entre as localidades de Carrapateira e Baixa do Juazeiro, na zona rural. Sempre que a Polícia realizava uma busca em uma área, ele, por ser “mateiro”, de acordo com o delegado, conseguia fugir para outra área. “Nós trabalhamos incansavelmente nesses 100 dias”, destacou.

A Polícia recebeu apoio da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas, que enviou uma aeronave e passou o último domingo tentando localizar o suspeito. Na segunda, 30 de novembro, a Polícia localizou João. Após a prisão, ele confessou que se sentiu ameaçado com a presença da Polícia na cidade e tinha fugido para Salvador, com a ajuda de um amigo caminhoneiro. Chegando à capital baiana, o suspeito conseguiu um transporte clandestino e foi para São Paulo, onde ficou entre 20 e 25 dias, na região da Barra Funda, na capital paulista. Ele declarou que esperava, com o apoio de familiares, conseguir um emprego. Sem sucesso, resolveu voltar à cidade no domingo, 29.

Captura

A investigação aponta que, logo após cometer o crime, João Vieira passou alguns dias escondido. Ainda de acordo com o delegado, durante a fuga, João Vieira usou os documentos de um irmão dele, já falecido, com quem possui semelhanças físicas.

"Os policiais civis realizaram campana nas proximidades da casa onde o homem estava escondido. Quando familiares do suspeito abriram a porta, os policiais entraram na residência e ele tentou fugir, porém, foi alcançado e não reagiu", diz a Polícia em nota.

"Rapidamente ele foi localizado e conduzido para a delegacia municipal de Novo Oriente, onde foi ouvido. De lá, foi encaminhado para a cadeia pública da cidade, onde ficou à disposição da Justiça", conclui o comunicado.

Em setembro último, no dia 3, um homem identificado como Francisco Neyvisson Pereira, de 23 anos, foi captura pela Polícia. Apontado como o condutor da motocicleta usada no crime, ele foi localizado na zona rural da cidade, enquanto pescava em um açude da região. Durante a ação policial, o suspeito não esboçou reação.

A SSPDS diz que havia um mandado de prisão temporária contra ele, "representado junto ao Poder Judiciário após investigações conduzidas pela Delegacia Regional de Crateús".

Após receber a informação de que o suspeito estaria na capital paulistana, a Polícia Civil do Ceará entrou em contato com as Polícias Civil e Militar de São Paulo para que elas realizassem um monitoramento na casa de parentes e amigos do suspeito, mas não houve êxito. Após a prisão, ele revelou que já esperava essa abordagem da Polícia e, por isso, teria alugado uma pousada, no bairro da Barra Funda, onde teria permanecido entre 20 e 25 dias. 

O delegado informa que João já estava ficando sem dinheiro e não conseguia emprego. "Nós selecionamos alguns endereços (em Crateús) que achamos que ele receberia apoio e, na residência do avó materno do suspeito, na zona urbana da cidade, no bairro de São José, foi realizada a abordagem", diz. O suspeito ainda tentou fugir, mas  foi preso pela Polícia. Na delegacia, ainda de acordo com Araújo, ele confirmou ter executado a ex-companheira e o motivo seria ciúmes e insatisfação pelo fim do relacionamento. Ele deve responder por feminicídio. 

Araújo orienta a mulheres que passam por situações de agressão com companheiros que denunciem o homem. A técnica de enfermagem era, segundo testemunhas, constantemente agredida pelo marido.

O crime

A vítima Maria Gomes de Lima estava voltando de um expediente de trabalho, no dia 22 de agosto deste ano, quando foi atingida por disparos de arma de fogo. Ela estava na garupa de uma motocicleta pilotada pelo filho quando foi lesionada.

 

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