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Ceará
Superação

Paratleta cearense vence depressão e sonha com Paralimpíada

Cristiano Soares almeja conseguir prótese e correr nos jogos de 2020

15:57 | 10/10/2018
Cristiano Soares em pódio após corrida. (FOTO: Acervo Pessoal)
A vida de Cristiano Soares mudou completamente desde que a moto dele colidiu com um carro há pouco mais de dois anos, quando visitava a cidade natal, Crateús. No acidente ele perdeu o pé esquerdo e com isso entrou em depressão. “Me via como um 'zé ninguém'. Eu amava jogar futebol e não saia da minha cabeça que minha vida não iria ter mais sentido nenhum”, conta. Para superar a doença, o rapaz de 25 anos ingressou no mundo das corridas de rua.
 
A ideia de começar a correr surgiu após voltar a morar em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, onde trabalhava antes do acidente. Cristiano conta que se sentiu "inútil" ao rever os conhecidos. “Revi amigos e chefes, mas ainda me sentia mal, inútil, não visto. Um peso morto não só para a família, como para os amigos e as pessoas em geral. Tudo o que eu fosse fazer precisava de alguém para ajudar. Aquilo me doía”, revela.
 
Após o impacto do encontro, Cristiano procurou na internet meios que fizessem com que se sentisse vivo novamente. Foi quando descobriu que havia pessoas com deficiência que são atletas. “Corriam, nadavam e andavam de bicicleta. Me identifiquei com as corridas por serem tão semelhantes ao futebol, o esporte que eu amava. Então comecei a fuçar sites procurando alguma corrida que aconteceria na Cidade”, lembra.
 
Cristiano já correu em diversas competições, como a Meia Maratona do Rio de Janeiro e a Corrida BRF, em Santa Catarina - apesar da difícil adaptação. De início ele ainda usava cadeira de rodas para competir, o que o fazia sofrer com as pistas inclinadas. “Alguém tinha que me empurrar nas subidas. Quando isso acontecia, eu me sentia mais inútil ainda”, recorda o paratleta. Quando corria sozinho, ele se via prejudicado pelas rodas da cadeira rasgando as mãos. “Mais uma vez me vi mal, infeliz. Então comecei a frequentar uma academia no bairro, para ganhar um pouco de músculos e quem sabe até resistência”, relembra.
 
Com o tempo Cristiano passou a correr metade das maratonas de muleta e não demorou muito para substituir totalmente a cadeira de rodas. “Sempre me sentia inseguro com elas (muletas), com aquele medo de cair e me machucar ou passar vergonha”, revela o rapaz. Mas, apesar das dores, ele se sentia realizado. “Me sentia feliz. Corpo todo dolorido, mãos cheias de calo, pés com bolhas, mas estava feliz. Feliz por as pessoas me verem, feliz por ser notado, feliz por conhecer tanta gente”.
 
A adaptação é um processo que dura até hoje. Cristiano ainda sofre com dores e calos, mas é a falta de verba para material e viagens o maior problema do atleta. A despesa com rodoviária, aeroporto, hotel e alimentação torna tudo muito caro - e o sonho de competir um pouco mais difícil. O paratleta conta que algumas vezes tem que dormir na rodoviária e que fica até mesmo sem comer.
 
Para o futuro, o cearense tem como objetivo continuar realizando os sonhos. Ele almeja conseguir uma prótese e, assim, correr na Paralimpíada: “Sonhos, são sonhos o que quero. Quero poder correr e subir no pódio, quero poder me tornar um paratleta brasileiro reconhecido”.
 
Cristiano planeja organizar uma campanha para arrecadar dinheiro. “Não sei se irá ou não se realizar, mais sei de uma coisa: sonhos só se realizam se a pessoa pôr em mente que irá conseguir, independente das condições e dos erros, das vezes que não deu certo”. 

LUCAS DE PAULA