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Moradores de Canindé realizam "Caminhada pela Paz" pedindo fim do motim de policiais militares

Organizada através de redes sociais, encontro ocorreu no sábado, 29, e reuniu quase 100 pessoas, segundo um dos organizadores

Gabriela Feitosa
23:11 | 01/03/2020
Grupo se articulou pelas redes sociais
Grupo se articulou pelas redes sociais (Foto: Via WhatsApp O POVO)

Quase 100 pessoas se reuniram no último sábado, 29, na cidade de Canindé para realizar uma "Caminhada pela Paz". Objetivo da ação é pedir pelo fim da paralisação de alguns policiais militares, amotinados desde 18 de fevereiro. Júnior Mourão, um dos organizadores, contou ao O POVO que a decisão pela caminhada surgiu, principalmente, após proposta do governador Camilo Santana que proíbe expressamente a concessão de anistias administrativas para policiais militares que promoverem motins no Estado.

"A gente se articulou pelas redes sociais. Começamos a fazer na sexta-feira para acontecer no sábado às 15 horas. Tivemos muita participação no ato feito em uma praça e em frente ao quartel", conta Júnior. Também houve, na ação, um momento de debate, onde manifestantes conversaram com outros moradores da cidade sobre o cenário de paralisação.

"Nós estamos sendo reféns dessa briga de braço do poder público com os militares. O que nós pedimos é que essa situação se resolva, não dá para continuar", pede o organizador. Segundo Mourão, o cenário em Canindé é de "terror", com registro de mais homicídios nos últimos dias, além de outros crimes como assaltos. "Ninguém quer mais sair de casa", complementa.

Ismael Marreiro de Lima, uma das pessoas que esteve no ato, disse que participou da caminhada por querer "paz e segurança". Segundo ele, a paralisação aconteceu por conta de falhas na administração do governo. "Nenhum trabalhador, seja na área privada ou pública, quer passar tanto tempo sem reajuste salarial, principalmente na área de segurança pública", disse. 

No bairro onde mora, Frei Lucas Dolle, Ismael disse que foram registrados três homicídios desde que a paralisação começou. A sensação de medo e insegurança faz com que a população evite sair de casa. "Até o ponto de diversão das crianças, a praça, está esvaziado". 

O grupo pretende continuar com a "Caminhada pela Paz" e já estão organizando próximo encontro. "Nenhum participante é militar ou tem parentesco com militar. São pessoas comuns, pequenos comerciantes, pessoas da periferia e do centro da cidade. Nosso único objetivo é que isso termine e que nossa sociedade tenha, pelo menos, aquele ar de tranquilidade", conclui Júnior Mourão.

Confira vídeo da caminhada: