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Conheça o cearense, natural do município de Aurora, condecorado pelo rei da Bélgica

Pedro Jorge de Castro liderou uma equipe para refazer o percurso da missão Cruls, comitiva belga que fez os primeiros estudos, em 1892, sobre a área onde Brasília seria construída

Leonardo Maia
11:48 | 26/02/2020
A comissão refez o percurso original, entre Rio de Janeiro e Brasília, da equipe liderada pelo geógrafo belga Louis Ferdinand Cruls em 1892
A comissão refez o percurso original, entre Rio de Janeiro e Brasília, da equipe liderada pelo geógrafo belga Louis Ferdinand Cruls em 1892 (Foto: Arquivo Pessoal)

“Tudo começou quando um embaixador do Brasil me falou sobre o quadrilátero Cruls, nem brasileiros nem belgas sabiam disso”, lembrou Pedro Jorge de Castro, cearense natural de Aurora, que foi condecorado pelo rei da Bélgica em setembro de 2015. O reconhecimento da nação europeia teria acontecido após o homem refazer, em 2003, os passos da primeira comitiva científica, liderada pelo geógrafo belga Louis Ferdinand Cruls, que estudou a área onde Brasília seria construída.

Iniciada em 1892 no governo de Floriano Peixoto, a iniciativa demarcou uma área de 14.400 Km², considerada adequada para a futura capital. A equipe, composta por botânicos, naturalistas, engenheiros e médicos, realizou estudos científicos até então inéditos na região, mapeando aspectos climáticos e topográficos, além de estudar a fauna, a flora, os cursos de rios e modo de vida dos habitantes.

Na imagem, é possível ver a comissão liderada por Pedro Jorge, em 2003, e pelo belga Cruls, em 1892 (as duas fotos foram tiradas sob a mesma árvore):

Foto da comissão original, liderada por Cruls, que fez os primeiros estudos científicos sobre a região.
Foto da comissão original, liderada por Cruls, que fez os primeiros estudos científicos sobre a região. (Foto: Arquivo Pessoal)

A comissão refez o percurso original, entre Rio de Janeiro e Brasília, da equipe liderada pelo geógrafo belga Louis Ferdinand Cruls em 1892
A comissão refez o percurso original, entre Rio de Janeiro e Brasília, da equipe liderada pelo geógrafo belga Louis Ferdinand Cruls em 1892 (Foto: Arquivo Pessoal)

De Castro, cineasta e professor da Universidade de Brasília (UnB), resolveu remontar o grupo com as mesmas especialidades de pesquisadores com objetivo de divulgar o conhecimento originado na primeira expedição. Há 17 anos, os especialistas fizeram o caminho novamente, entre o Rio de Janeiro e Brasília, promovendo mesas redondas e exposições com informações descobertas na época.

Além dos eventos durante o trajeto, Pedro Jorge conseguiu que os conhecimentos sobre a missão Cruls fossem inseridos na grade curricular do Distrito Federal. O homem ainda editou o livro “Missão Cruls, uma Trajetória para o Futuro”, cujo lançamento foi realizado em oito capitais brasileiras. “Eu não tinha essa intenção (de receber a condecoração), mas o governo da Bélgica reconheceu o que eu fiz”, celebrou o cineasta.

O Cinema e a relação com Aurora

Como cineasta, Pedro Jorge é autor dos filmes de longa-metragem:“Tigipió, uma História de Amor e Honra”; “O Sinal da Cruz”; e “Calor da Pele”. Em cinema documentário, foi o primeiro cineasta residente em Brasília a conquistar o prêmio de Melhor Filme do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Além disso, foi reconhecido internacionalmente. Na República Tcheca, o artista foi premiado no Festival de Cinema de Karlovy Vary, que contou com presença de grandes nomes, como o diretor e roteirista de cinema italiano, Federico Fellini.

A influência de Pedro Jorge em sua terra natal repercute até entre os aurorenses mais jovens. O também cineasta Lamarck Dias afirmou que o contato com ele foi fundamental para sua formação artística, especialmente no fortalecimento de sua confiança na possibilidade de ascender na carreira ainda que em uma cidade pequena.

“Se fazer cinema em uma cidade grande já é difícil, ter essa motivação foi algo decisivo para que eu continuasse tentando. Mesmo com tantos títulos, é muito legal saber que ele cresceu na cidade de Aurora, assim como nós todos. Ter essa proximidade, alimenta a confiança”, falou o cineasta.

Dias ainda afirma que incorporou algumas referências de Pedro em suas produções. Ele disse que desde que se conheceram trocaram muitas informações e dicas sobre o cinema, tanto por e-mail como por telefone. “É muito forte essa característica de falar com as coisas ao redor, falar do seu povo, da sua gente. Mesmo em Brasília há tanto tempo, ele mantém isso de falar do sertão, é muito importante falar sobre o nosso povo”, ressaltou.

O secretário da Cultura de Aurora, José Cícero, considera o nome de Pedro Jorge como uma das maiores personalidades da Cidade. Ele fala da missão da gestão de resgatar e preservar toda a memória histórico-cultural da região, reconhecida nacional e internacionalmente. “Um filho ilustre que se destacou no cenário cultural é algo que orgulha a gente, ainda mais no Interior. Aurora se insere nesse contexto com uma vasta produção cultural com artistas de vários gêneros”, pontuou.

A condecoração foi dada em setembro de 2015 pelo rei da Bélgica, assim como a entrega de placa oferecida pela cidade natal de Louis Cruls.
A condecoração foi dada em setembro de 2015 pelo rei da Bélgica, assim como a entrega de placa oferecida pela cidade natal de Louis Cruls. (Foto: Arquivo Pessoal)

Cícero ainda disse que a intenção é trazer o cineasta para o Encontro dos Filhos e Amigos de Aurora, evento anual promovido por uma associação local. “Eu acho que casos como esse são formas de incentivar a todos os outros cidadãos que vivem na cidade. É um filho da terra que levou o nome de Aurora para fora”, concluiu.

Sobre o convite, Pedro Jorge afirmou: “Eu ainda vou, mas para dar três aulas. Acho que para isso valeria a pena, eu gosto mesmo é de compartilhar meu conhecimento”.