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Ceará
NOTÍCIA

Cerca de 85 mil alunos no Ceará se afastaram das salas de aula em 2020

No total, ao menos 135 mil estudantes estão com vínculos escolares enfraquecidos ou não frequentam a escola

Ítalo Cosme
12:25 | 29/04/2021
Pandemia aumentou aprofundou desigualdades e isso deve se refletir nos resultados da educação em 2020 (Foto: Barbara Moira)
Pandemia aumentou aprofundou desigualdades e isso deve se refletir nos resultados da educação em 2020 (Foto: Barbara Moira)

Chega a 135 mil a quantidade de crianças e adolescentes no Ceará, com idade ente 6 e 17 anos, afastados da sala de aula em 2020. O número é maior em 85 mil de estudantes comparado a 2019. A diferença é que o levantamento do ano passado não considera indivíduos com idade de 4 e 5 anos - o que é levado em conta no ano anterior. Portanto, o número de alunos sem contato com as instituições educacionais pode ser ainda maior.

O aumento significativo de exclusão no Ceará reflete situação agravada em todo o País. Em relação às regiões, Norte (28,4%) e Nordeste (18,3%) apresentaram os maiores percentuais de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos sem acesso à educação, seguidas por Sudeste (10,3%), Centro-Oeste (8,5%) e Sul (5,1%).

A exclusão em todo o Brasil foi maior entre crianças e adolescentes pretos, pardos e indígenas, que correspondem a 69,3% do total de crianças e adolescentes sem acesso à Educação.

Em relação a 2019, o cenário da exclusão escolar se produz em cada estado brasileiro em proporções diferentes. No Nordeste, três estados apresentam percentuais abaixo da média nacional: Piauí (1,5%), Rio Grande do Norte (1,7%) e Bahia (2,5%), enquanto o Ceará registra o mesmo percentual da média nacional (2,7%). Alagoas (4,3%), Paraíba (3,4%) e Sergipe (3%) apresentam os piores indicadores de exclusão na região.

Em todo o País, o acesso à educação pode regredir duas décadas. Já no fim do ano passado, 5,1 milhões de alunos não estavam frequentando a escola. A quantidade é a mesma registrada no início dos anos 2000.

Relatório divulgado na manhã desta quinta-feira, 29, é fruto da parceria entre Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Para chegar ao número, os técnicos utilizaram a Pnad Covid-19 de novembro passado, quando cerca de 1,5 milhão de crianças e adolescentes afirmaram não frequentar a escola. Somado a isso, 3,7 milhões responderam que, na semana anterior ao questionário, a escola não havia disponibilizado atividades para realizar em casa. Desse total, ainda foram suprimidos 124 mil respondentes que já concluíram o ensino médio ou equivalente.