Casal preso em operação contra trafico de drogas é apontado como chefe de organização criminosa
Servidora Pública do Fórum de Independência também é acusada de fazer parte da quadrilha. Na casa de Gracias e Edilene foram achados $ 11.700 em espécie, além de relógios, aparelhos celulares e um veículo modelo Peugeot.
Dois suspeitos, um homem e uma mulher, são apontados como chefes da organização criminosa desarticulada nesta quinta-feira, 18, na Operação Arrebol. Na ação, foram presas 18 pessoas, incluindo o casal, e um informante foi conduzido até a delegacia para assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Houve a apreensão de dinheiro em espécie, relógios, dois veículos e três motocicletas nos endereços que constavam nos mandados judiciais. O balanço é feito por meio de investigações da Delegacia Municipal de Independência com o apoio da Delegacia Regional de Crateús. Os detalhes foram apresentados na manha desta sexta-feira, 7, na sede da Delegacia Geral da Polícia Civil.
A operação foi deflagrada na quinta-feira, 6, às 5 horas da manhã. Gracias Rodrigues de Morais, 42, conhecido como "Irmão Cripriano", e Maria Edilene Alvez Feitosa, 40, são suspeitos de coordenar as negociações do tráfico de drogas na Capital e nas cidades de Independência, Crateús e Hidrolândia. A organização também tinha o apoio de suspeitos de terem ligação com de crimes de homicídio, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de arma de fogo, corrupção, corrupção de menores, ameça e trabalhava na resolução de conflitos entre moradores para que a Polícia não interferisse nas atividades criminosas.
É + que streaming. É arte, cultura e história.
Em Fortaleza, foi presa uma mulher, que atuou por um período em Independência. Ela havia sido detida em flagrante por tráfico de drogas no município, mas conseguiu a liberdade por meio de audiência de custódia. A nova prisão foi em cumprimento de mandado.
Na casa de Gracias e Edilene foram achados R$ 11.700 em espécie, além de relógios, aparelhos celulares e um carro. Os mandados, cumpridos pelas delegacias municipais de Independência e Regional de Crateús, com o apoio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPI/Norte), foram expedidos pela Vara de Combate ao Crime Organizado. Foi encontrado, dentro do vaso sanitário da casa do casal um chip telefônico que o casal tentou descartar, mas não conseguiu. O material foi enviado à Perícia Forense.
O delegado Marcus Aurélio França, diretor do DPI/Norte aponta que foi cumprida somente uma primeira parte da investigação e a operação segue. "Há a perspectiva de haver um maior número de prisões", informa. Mateus Araújo, titular da Delegacia Municipal de Independência, que coordenou a operação, informa que o início das investigações aconteceu por denúncias de tráfico de drogas na cidade de Independência e na Região.
"No decorrer das investigações, conseguimos descobrir que a teia de atuação da organização é muito maior. Descobrimos que o chefe da organização atua principalmente em Independência com um poder paralelo ao Estado. O casal comandava o tráfico e tentava, ao mesmo tempo, pacificar os conflitos que surgissem por lá", informa. O delegado diz que, havendo alguma desavença, o casal chamava as partes e tentava mediar a situação para que as pessoas não chegassem até a delegacia e fizessem boletim de ocorrência", diz. A tentativa, de acordo com Araújo, era a de inibir a chegada da Polícia até o que o delegado classificou como "quintal da organização".
No esquema, uma servidora pública do Poder Judiciário de Independência, e um advogado que prestava serviços ao casal colaboravam diretamente com os crimes. Segundo as investigações, a servidora seria encarregada, mediante pagamento, de passar informações privilegiadas e sigilosas por meio do advogado. A servidora foi afastada e o advogado está sendo investigado e foi alvo de um mandando de busca e apreensão. Ambos são parentes, o que teria facilitado o contato e o trabalho auxiliando no andamento de processos em que os integrantes da organização respondiam na justiça.
Segundo Araújo, o advogado tentava blindar o líder da organização. Ele convencia os presos a não informarem o nome de Gracias Rodrigues. Ao comparecer a delegacia para defender os integrantes da quadrilha, o defensor despistava ao máximo ligar os acusados de processo da atuação ao homem conhecido como "Irmão Cripriano".
No início das investigações, a Polícia acreditava, segundo o delegado Mateus Araújo, que a atuação do grupo fosse em caráter mais regional. As investigações aponta, no entanto, que a ação do grupo pode ter um caráter bem maior. "As apurações continuam de modo que toda a organização criminosa seja desarticulada", informa. A investigação teve início em janeiro deste ano. A escolha de Arrebol (cor avermelhada que se chama o crepúsculo) como nome da operação, segundo Araújo, é por conta de que havia suspeitas do grupo criminoso, mas não era possível chegar aos responsáveis. "O nome arrebol veio como uma luz para dar esclarecimento e de chegar próximo à desvendar a quadrilha", diz.