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Ceará
NOTÍCIA

Casal preso em operação contra trafico de drogas é apontado como chefe de organização criminosa

Servidora Pública do Fórum de Independência também é acusada de fazer parte da quadrilha. Na casa de Gracias e Edilene foram achados $ 11.700 em espécie, além de relógios, aparelhos celulares e um veículo modelo Peugeot.

13:05 | 07/08/2020
Durante as diligências, as equipes policiais apreenderam ainda R$ 11.700,00 em espécie, além de relógios, aparelhos celulares e um veículo modelo Peugeot. (Foto: Divulgação)
Durante as diligências, as equipes policiais apreenderam ainda R$ 11.700,00 em espécie, além de relógios, aparelhos celulares e um veículo modelo Peugeot. (Foto: Divulgação)

Dois suspeitos, um homem e uma mulher, são apontados como chefes da organização criminosa desarticulada nesta quinta-feira, 18, na Operação Arrebol. Na ação, foram presas 18 pessoas, incluindo o casal, e um informante foi conduzido até a delegacia para assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Houve a apreensão de dinheiro em espécie, relógios, dois veículos e três motocicletas nos endereços que constavam nos mandados judiciais. O balanço é feito por meio de investigações da Delegacia Municipal de Independência com o apoio da Delegacia Regional de Crateús. Os detalhes foram apresentados na manha desta sexta-feira, 7, na sede da Delegacia Geral da Polícia Civil.

A operação foi deflagrada na quinta-feira, 6, às 5 horas da manhã. Gracias Rodrigues de Morais, 42, conhecido como "Irmão Cripriano", e Maria Edilene Alvez Feitosa, 40, são suspeitos de coordenar as negociações do tráfico de drogas na Capital e nas cidades de Independência, Crateús e Hidrolândia. A organização também tinha o apoio de suspeitos de terem ligação com de crimes de homicídio, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de arma de fogo, corrupção, corrupção de menores, ameça e trabalhava na resolução de conflitos entre moradores para que a Polícia não interferisse nas atividades criminosas.

Em Fortaleza, foi presa uma mulher, que atuou por um período em Independência. Ela havia sido detida em flagrante por tráfico de drogas no município, mas conseguiu a liberdade por meio de audiência de custódia. A nova prisão foi em cumprimento de mandado.

Na casa de Gracias e Edilene foram achados R$ 11.700 em espécie, além de relógios, aparelhos celulares e um carro. Os mandados, cumpridos pelas delegacias municipais de Independência e Regional de Crateús, com o apoio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPI/Norte), foram expedidos pela Vara de Combate ao Crime Organizado. Foi encontrado, dentro do vaso sanitário da casa do casal um chip telefônico que o casal tentou descartar, mas não conseguiu. O material foi enviado à Perícia Forense.

O delegado Marcus Aurélio França, diretor do DPI/Norte aponta que foi cumprida somente uma primeira parte da investigação e a operação segue. "Há a perspectiva de haver um maior número de prisões", informa. Mateus Araújo, titular da Delegacia Municipal de Independência, que coordenou a operação, informa que o início das investigações aconteceu por denúncias de tráfico de drogas na cidade de Independência e na Região.

"No decorrer das investigações, conseguimos descobrir que a teia de atuação da organização é muito maior. Descobrimos que o chefe da organização atua principalmente em Independência com um poder paralelo ao Estado. O casal comandava o tráfico e tentava, ao mesmo tempo, pacificar os conflitos que surgissem por lá", informa. O delegado diz que, havendo alguma desavença, o casal chamava  as partes e tentava mediar a situação para que as pessoas não chegassem até a delegacia e fizessem boletim de ocorrência", diz. A tentativa, de acordo com Araújo, era a de inibir a chegada da Polícia até o que o delegado classificou como "quintal da organização".

No esquema, uma servidora pública do Poder Judiciário de Independência, e um advogado que prestava serviços ao casal colaboravam diretamente com os crimes. Segundo as investigações, a servidora seria encarregada, mediante pagamento, de passar informações privilegiadas e sigilosas por meio do advogado. A servidora foi afastada e o advogado está sendo investigado e foi alvo de um mandando de busca e apreensão. Ambos são parentes, o que teria facilitado o contato e o trabalho auxiliando no andamento de processos em que os integrantes da organização respondiam na justiça.

Segundo Araújo, o advogado tentava blindar o líder da organização. Ele convencia os presos a não informarem o nome de  Gracias Rodrigues.  Ao comparecer a delegacia para defender os integrantes da quadrilha, o defensor despistava ao máximo ligar os acusados de processo da atuação ao homem conhecido como "Irmão Cripriano".

No início das investigações, a Polícia acreditava, segundo o delegado Mateus Araújo, que a atuação do grupo fosse em caráter mais regional. As investigações aponta, no entanto, que a ação do grupo pode ter um caráter bem maior. "As apurações continuam de modo que toda a organização criminosa seja desarticulada", informa. A investigação teve início em janeiro deste ano. A escolha de Arrebol (cor avermelhada que se chama o crepúsculo) como nome da operação, segundo Araújo, é por conta de que havia suspeitas do grupo criminoso, mas não era possível chegar aos responsáveis. "O nome arrebol veio como uma luz para dar esclarecimento e de chegar próximo à desvendar a quadrilha", diz.