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32 dependentes químicos são encontrados vivendo em condições desumanas em Juazeiro do Norte

Internos em uma casa de reabilitação, eles não tinham contatos com familiares e sofriam agressões. Dois homens estavam em cárcere privado
22:15 | Nov. 21, 2019
Autor O POVO
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O POVO Jornal
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Tipo Notícia

Inspeção realizada pelo Ministério Público do Estado do Ceará no Centro Terapêutico Casa de Jacó, em Juazeiro do Norte, na última quarta-feira, 20, constatou que 32 internos, em tratamento de dependência química, eram submetidos a condições desumanas. Dois homens estavam em situação de cárcere privado, sendo que um deles estava algemado. O proprietário do estabelecimento foi preso em flagrante.

 

O caso foi apresentado durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, 21, pelos titulares da 2ª e da 13ª Promotorias de Justiça de Juazeiro do Norte, promotores de Justiça Alessandra Magda Ribeiro Monteiro e Flávio Corte Pinheiro de Sousa. Foram apreendidas drogas no local e ocorreu uma constatação médica de interno sob efeito de substância entorpecente.

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"A propaganda do local era de tratamento e recreamento. Mas o que estava acontecendo realmente era isolamento e espancamento. Inclusive, havia pessoas com doenças mentais que não deveriam estar na clínica de reabilitação", descreve Alessandra Magda Monteiro.

 

A promotora acrescenta que um dos cuidadores era diagnosticado com esquizofrenia e acusado de agressão aos internos. "Já tínhamos uma denúncia de um familiar que não estava conseguindo ter contato com um parente. A situação foi surpreendente para nós, nesse contexto, tão grave, tão degradante para a situação de um ser humano", afirma.

 

"Senhores de idade que tinham problemas de abstinência eram agredidos, recebiam chutes, socos, pauladas. Algumas pessoas ficavam algemadas por mais de 20 dias em um quartinho, que também era usado como banheiro. Um interno chegou a ficar 25 dias preso no local", descreveu um dos internos resgatados.

 

Flávio Pinheiro explica que o centro terapêutico funcionava em um terreno grande, com quartos improvisados nas laterais, sem ventilação e sem banheiros, que se assemelhavam a uma cela. Nos fundos, havia um corredor sem iluminação e com grades, onde os internos eram acorrentados. Todo o lugar era sujo e precário.

 

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) realizou atendimento médico ambulatorial dos internos. Um deles chegou a ser encaminhado para o Hospital Regional do Cariri, onde foi submetido a cirurgia. Outros dois foram atendidos em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

 

Assistentes sociais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho (Sedest) e médico da saúde mental realizaram uma triagem dos institucionalizados para verificar aqueles que têm condições de retornar ao convívio de suas famílias ou que precisam ser encaminhados a outra instituição. A vigilância sanitária interditou o estabelecimento.

 

 

 

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