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Ceará
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Apenas 24 municípios do CE terão campanha de vacinação antirrábica este ano

De acordo com a Sesa, dos 184 municípios cearenses, apenas 24 realizaram ou realizarão a campanha de vacinação antirrábica animal este ano até posterior instrução

12:06 | 01/10/2019
A vacinação anti-rábica será restrita aos municípios prioritários em 2019
A vacinação anti-rábica será restrita aos municípios prioritários em 2019(Foto: DEIVYSON TEIXEIRA)

No último sábado, 28, a Capital cearense recebeu campanha de vacinação antirrábica em 240 pontos de atendimento. Tal serviço público, destinado a cães e gatos, entretanto, não está disponível em 2019 para a população de Caucaia, município da Região Metropolitana de Fortaleza.

Em nota, a Prefeitura de Caucaia informou que este ano não realiza campanha de vacinação de cães e gatos “por decisão unilateral do Ministério da Saúde, ente legal responsável pela distribuição da vacina”. O município afirma ter sido informado que o Governo Federal não dispõe de doses da antirrábica para todas as cidades brasileiras e, por isso, disponibiliza a vacina em 2019 somente para localidades com cobertura inferior a 60% em 2018 ou que tenham apresentado casos de raiva animal no ano passado.

Caucaia não se encaixa em nenhum dos dois critérios, pois vacinou 96% dos cães e gatos em 2018 e não registrou casos da doença no ano passado. Questionado pelo O POVO Online sobre o assunto, o Ministério da Saúde explicou em nota que municípios prioritários, ou seja, aqueles que tiveram confirmação de casos de raiva em cães ou gatos receberão as doses para a realização da campanha. Para as demais localidades, as doses serão enviadas assim que a produção for normalizada.

A insuficiência de vacinas se deve a um atraso do laboratório fornecedor, “que informou ter identificado problemas técnicos na produção da vacina antirrábica”. Dos 27 estados brasileiros, apenas nove receberam doses da vacina. Ainda segundo o Ministério, “em 2019, foram enviadas mais de 10 milhões de doses para todo País, sendo mais de 670 mil doses para o estado do Ceará. O Ministério da Saúde distribui vacinas para os estados, cabendo aos estados fazer a distribuição a seus municípios”.

A Secretaria da Saúde do Ceará comunicou que “obedecendo a critérios de prioridade, de acordo com o risco epidemiológico definido, do total dos 184 municípios do Ceará, apenas 24 realizaram ou realizarão a campanha de vacinação antirrábica animal este ano até posterior instrução”.

Os critérios de prioridade estabelecidos pela Secretaria foram os seguintes:

(I) Coberturas vacinais 60% na campanha de vacinação antirrábica animal em 2018.

(II) Casos de raiva animal nos anos 2018 e 2019.

(III) Casos de raiva animal somente em 2019.

De acordo com o censo animal dos 24 municípios elencados como prioritários estima-se que sejam vacinados 667.777  animais.

A epidemiologia da raiva

A raiva é transmitida aos humanos pela inoculação de vírus presente na saliva ou secreções de um mamífero infectado, principalmente por mordida. A cadeia epidemiológica da doença apresenta quatro ciclos de transmissão:

- ciclo urbano, que é mantido por cães e gatos;

- o ciclo rural que envolve, principalmente, bovinos e equinos, tendo como principal vetor o morcego hematófago;

- ciclo silvestre, que diz respeito à circulação viral entre os animais silvestres e é subdividido em: silvestre terrestre, caracterizado pela raiva em animais como o cachorro do mato e saguis; e silvestre aéreo, mantido pelos morcegos.

Segundo Boletim Epidemiológico publicado pela Sesa em 15 de maio de 2019, no período de 2009 a 2018, foram registrados 38 casos de raiva humana em todo o País. Destes, 19 (50%) tiveram o morcego como animal agressor, em 11 (29%) casos o cão, quatro (10%) por primatas não humanos, três (8%) por felinos e um deles não foi possível identificar o animal agressor.

No estado do Ceará, de 2007 a 2018, houve cinco casos de raiva humana. O principal animal agressor foi o sagui, no entanto outros agressores também foram registrados, como o cão e o morcego. Nesse período, os municípios com registro foram: Camocim (sagui/2008), Chaval (cão/2010), Ipu (sagui/2010), Jati (sagui/2012) e Iracema (morcego/2016).

Entre janeiro de 2007 e março de 2019, o Estado registrou 358.525 notificações de atendimentos antirrábicos humanos pós-exposição, apresentando média de 27.579 ao ano. O ano com a maior incidência foi 2018, com 48,5 atendimentos por 10.000 habitantes. No primeiro trimestre deste ano, foi registrada uma média de 10,5 atendimentos a cada 10.000 habitantes.

Os municípios de Guaramiranga, Jaguaruana, Ubajara e Russas apresentaram os maiores coeficientes de incidência acumulada de 2007 a 2019. O tipo de tratamento predominante indicado foi observação do animal agressor juntamente com vacina (45,4%).

A maioria das notificações ocorreu em pessoas da faixa etária de 20 a 49 anos (37,2%), do sexo masculino (52,9%), pardos (72,0%) e com residência na zona urbana dos municípios (67,1%).

Os cães são os mais frequentemente relacionados às agressões dos atendimentos antirrábicos humanos no Ceará (68,9% dos casos), seguidos dos gatos (25,3%). A exposição por mordida foi a responsável pelas maiores frequências de atendimentos antirrábicos, com 85,8% das notificações, seguida de exposição por arranhões (16%). Os locais do corpo mais acometidos foram mãos e pés (39%), seguidos dos membros inferiores (34,4%).