"Os protocolos no caso de reféns não foram observados", diz procurador-geral
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"Os protocolos no caso de reféns não foram observados", diz procurador-geral

Ação que impediu assalto a banco em Milagres vitimou seis reféns. Operação foi "fracasso em todos os aspectos", diz procurador-geral

15:17 | 10/12/2018
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Atualizada às 16h55min
Durante entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 10, o procurador-geral de Justiça, Plácido Rios, lamentou que a ação policial em Milagres tenha terminado com seis reféns mortos. Ele ressaltou que os protocolos de segurança no caso não foram seguidos durante a operação.
 
[SAIBAMAIS] "Nós não verificamos nenhum protocolo de cuidado, de zelo, com a vida dos reféns. Ao que parece, a polícia sequer tinha conhecimento da existência deles, de acordo com as últimas  informações recebidas", disse o promotor, que classificou a operação como "um fracasso em todos os aspectos".
 
Segundo Plácido Rios, as informações sobre o caso são desencontradas. "Não tínhamos conhecimento da operação que seria realizada. Nos deparamos com o resultado em que já se verificava a morte de seis reféns”. 
 
Ele destacou ainda que não foi criado um "rigor protocolar" durante a ação. Como exemplo, o procurador citou a falta de comunicação com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o procedimento. 
 
Uma equipe da PRF atendia a ocorrência de um acidente no quilômetro 495 da BR-116, onde foi surpreendida por militares em diligências para combater grupo que pretendia assaltar bancos na cidade.
 
O titular da 5ª Delegacia da PRF, Gledstone Chaves, criticou a falta de informações repassadas para os outros agentes de segurança. “Por que não comunicaram a gente? Uma ação como essa envolve todos os policiais. Fomos atender um suposto acidente e poderíamos ter nos deparado com vários bandidos armados”, disse em entrevista à rádio O POVO/CBN Cariri. 
 
Nesse domingo, 9, foram designados dez promotores de Justiça, que atuarão juntamente com Muriel Vasconcelos, títular da comarca de Brejo Santo, na apuração do caso. 
 
O procurador ressaltou também que nenhuma investigação paralela será aberta. "Não temos motivo para duvidar que a polícia do Estado do Ceará, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) e a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) tenham condição de fazer um trabalho criterioso e profundo para esclarecer os fatos".
 
O governador do Estado, Camilo Santana (PT), informou nesta segunda-feira, 10, que 12 policiais que participaram da troca de tiros em Milagres foram afastados. Os agentes devem atuar somente em processos administrativos da Polícia Militar até a conclusão das investigações sobre o caso.
 
Plácido Rios disse não saber se algum dos agentes afastados estava no comando das operações. "Não estamos querendo criminalizar, de forma irresponsável, a atividade policial. Apenas queremos saber as razões pelas quais a atividade em Milagres, lamentavelmente, fracassou".
 
 
Redação O POVO Online com informações da repórter Eduarda Talicy
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