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Boate Kiss: em nono dia de julgamento, réu pede para ser condenado

Ex-ajudante de palco da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha, presta depoimento no Foro Central, em Porto Alegre. "Mesmo eu sabendo que sou inocente, para tirar as dores dos pais, me condenem", disse Bonilha
22:29 | Dez. 09, 2021
Autor Kauanna Castelo
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Tipo Notícia

No nono dia de julgamento do caso Boate Kiss, o ex-ajudante de palco da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha, pediu ao júri que fosse condenado. "Não foi meu ato que causou tragédia, que tirou a vida desses jovens. Mesmo eu sabendo que sou inocente, para tirar as dores dos pais, me condenem", disse Bonilha, ao depor hoje, quinta-feira, 9 de dezembro, no Foro Central, em Porto Alegre. 

Durante o depoimento, Bonilha confirmou ter comprado e acionado o artefato pirotécnico a pedido do sanfoneiro Danilo Jaques, que morreu na tragédia. No entanto, ele afirma que não sabia sobre a proibição do uso do aparelho em ambiente fechado. Ainda segundo o ex ajudante, ao presenciar as primeiras chamas, lançou água em direção às labaredas que se alastraram no exato momento. 

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Aindaem busca de conter o fogo,Bonilha conta que um rapazpegou um extintor debaixo do bar e deu para o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos, porém, ao tentarem utilizar o aparelho, ele não funcionou."O extintor não tinha o lacre e batia a lata, era chocho [no sentido de parecer vazio]. Depois que começou fogaréu, nós só saímos porque alguém gritou", relatou.

Por fim, Bonilha disse que participou de 14 shows da banda Gurizada Fandangueira, e que em 9 deles foram usados artefatos pirotécnicos. Ele ainda negou sem produtor da banda quando questionado. "Eu era roadie. Como eu sou produtor? Se eu não ia em reunião, em ensaios, tinha sessão de fotos e eu não ia, eu não desenhava aquilo que tinha que ser no show. Vocês não sabem a responsabilidade em cima da palavra produtor de palco. Eu era o ajudante da banda", afirmou. A mãe de uma das vítimas da tragédia gritou "assassino" ao fim do depoimento, logo em seguida se retirou da sala. 

Bonilha foi o segundo dos quatros réus a prestar depoimento ao Tribunal do Júri. Além dele, Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, também fez o mesmo pedido, alegando já está "cansado". "Eu sei que vocês me odeiam, que vocês acham que eu matei, que eu queria machucar, acham que é fácil para mim? Não é fácil. Querem me prender, me prendam. Eu estou cansado. Eu sei que perderam gente, mas eu perdi um monte de amigos, eu perdi funcionários, vocês acham que eu não tinha amigo lá? Acha que eu ia fazer uma coisa dessas, cara?" afirmou Spohr aos prantos ao depor.

 

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