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NOTÍCIA

Médica de RR é acusada de desviar vacinas de refugiados para funcionários do TJ

De acordo com denúncias, a médica teria aplicado as vacinas de maneira irregular para funcionários do órgão. Mariângela era coordenadora do hospital de campanha que atendia venezuelanos refugiados.

05:44 | 23/07/2021
As aplicação irregulares teriam acontecido entre 12 e 13 de julho; médica que desviou vacinas ao TJ em RR coordenou hospital de campanha no estado (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
As aplicação irregulares teriam acontecido entre 12 e 13 de julho; médica que desviou vacinas ao TJ em RR coordenou hospital de campanha no estado (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Uma médica que chefiava o centro de saúde do Tribunal de Justiça de Roraima está sendo acusada de desviar vacinas contra a Covid-19 para funcionários da instituição. De acordo com denúncias, os imunizantes teriam sido desviados da Operação Acolhida, que atende refugiados venezuelanos no Brasil. Mariângela Nasário Andrade foi exonerada do cargo no dia 13 de julho.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o TJ declarou que Andrade realizou as aplicações nos dias 12 e 13 de julho. “Assim que teve conhecimento das ações não autorizadas e irregulares nas suas dependências, foi determinada a sua imediata interrupção”, diz o comunicado enviado. Segundo a nota, ela teria “agido por iniciativa própria e "em desrespeito à legislação vigente”.

O órgão não informou, no entanto, quem recebeu as vacinas aplicadas no local. Segundo as denúncias, os imunizantes podem ter sido aplicados em juízes. A Associação dos Magistrados de Roraima nega a acusação. Ainda, de acordo com o comunicado do Tribunal de Justiça, o juiz estadual mais jovem tem 32 anos, quando a vacinação geral nos dias 12 e 13 em Boa Vista já contemplava a faixa etária de pessoas de 26 a 31 anos.

Médica que desviou vacinas em RR coordenou hospital de campanha

Durante a Operação Acolhida, Mariângela Nasário Andrade coordenou o hospital de campanha montado durante a pandemia. O programa é uma ação conjunta do Exército, do governo federal e de organizações humanitárias na fronteira. Por conta de sua atuação, a médica recebeu a Medalha do Mérito do Ministério Público do Estado de Roraima, em junho deste ano. Em 2017, Andrade também foi condecorada com a comenda Orgulho de Roraima, da Assembleia Legislativa, concedida a pessoas consideradas “símbolo e referência para a população” local.

Ao jornal Folha de São Paulo, TJ afirmou que "nunca houve solicitação ou permissão para vacinação de Covid nas dependências do Tribunal em qualquer data". O órgão declarou, ainda, que solicitou providências à Corregedoria-Geral de Justiça, à Procuradoria-Geral de Justiça e ao Ministério Público Federal (MPF), tendo avisado também o Conselho Nacional de Justiça.

Depois de Andrade, outros servidores comissionados foram exonerados. Segundo o TJ, isso ocorreu devido a uma reestruturação da equipe diante da nomeação de um novo coordenador, e não por envolvimento deles nas irregularidades.

A Operação Acolhida realiza o trabalho de imunização em venezuelanos que ingressam no país através do município de Pacaraima. Após mais de um ano de fronteira fechada devido à pandemia, a entrada de refugiados dessa nacionalidade voltou a ser permitida no dia 23 de junho. Segundo a Folha, a Operação informou que, até o momento, não foi constatado nenhuma ilegalidade relacionada à vacinação e acrescentou que trabalha “sempre em observância aos princípios da legalidade e da legitimidade”.

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