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Monique fala de "plano diabólico" de Jairinho e diz querer ser mãe de novo

Monique Medeiros diz estar escrevendo um livro no qual detalha o "relacionamento abusivo" que viveu com o vereador, a quem ela se refere como "assassino do meu filho"

18:05 | 06/07/2021
Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, morto aos 4 anos. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, morto aos 4 anos. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Monique Medeiros e o vereador cassado Jairo Souza, o Dr. Jairinho, permanecem detidos pelo envolvimento na morte de Henry Borel, aos quatro anos. Presa desde 8 de abril no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, a professora Monique diz estar escrevendo um livro no qual detalha o "relacionamento abusivo" que viveu com o vereador, a quem ela se refere como "assassino do meu filho".

Além disso, Monique também fala em um "plano diabólico" de Jairinho para tirar a vida de seu filho e que pretende construir uma nova família: “Se Deus me permitir, sim. Pensei até numa produção independente”. Confira algumas falas dadas durante a entrevista ao portal da Universa/UOL, em que Monique estava ao lado de seu advogado, Lucas Antunes, na manhã da última segunda-feira, 5.

Questionada sobre sua rotina na prisão, a detenta diz: “Destruída pela falta do meu filho, da minha família. Sempre tive um laço muito grande com minha família. Aqui dentro é um lugar de sofrimento, de reflexão, de se apegar a Deus, de autoavaliação e autocrítica, de repensar os erros, a vida, de simplicidade”.

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Polícia indicia Dr. Jairinho e Monique pela morte de Henry

Monique diz ter lido 23 livros: “Ontem acabei um sobre Ghandi, li 'Família é tudo', do [Fabrício] Carpinejar. Gosto de livros de autoajuda, li 'Infâmia', da Ana Maria Machado, '1984', do George Orwell. Gosto de ler e escrever. Decidi que precisaria escrever meus relatos e que não vou mais me silenciar. Por isso estou escrevendo um livro contando toda a minha história”.

Quando indagada sobre o contato com as outras internas, ela diz não ter sido bem recebida. “As presas me julgam muito porque quem está de fora fala que teria tomado outra atitude. Mas você vivendo dentro da situação, será que tomaria uma posição diferente?”. Em seguida, ela se defende dos julgamentos e diz: “Sempre criei meu filho sozinha da melhor maneira possível. Mas omissa nunca fui e isso vamos provar”.

Questionada se ela acredita que o Dr. Jairinho era o culpado pela morte de seu filho, Monique diz que sim. "Acredito que ele matou o meu filho. Hoje eu acredito. Eu errei em não acreditar que um vereador bem-sucedido, médico, que tem família estruturada, ia se sujeitar a fazer uma coisa dessa com uma criança indefesa dormindo. Como poderia imaginar que ele tinha um plano tão diabólico, de tirar o meu filho de mim pra que não tivesse empecilho entre eu e ele?”.

Relacionamento com Jairinho

Com queixas de um relacionamento abusivo, Monique conta que precisava se submeter a várias ordens de Jairinho, desde a impossibilidade de ter um preparador físico porque o treinador era homem até o impedimento de ir a um salão com cabeleireiro homem.

“Eu achava que ele tinha um ciúme excessivo, que era manipulador. Ele era o cara que comandava a casa. Eu até gostava do ciúme, achava que era preocupação. Minha culpa foi não prever que eu tinha um algoz travestido de companheiro e que pudesse matar o meu filho”, relata.

Monique afirma ser uma boa mãe. “Fui a melhor mãe que meu filho poderia ter. E ele foi o melhor filho que eu poderia ter tido” e quando perguntada sobre o futuro, Monique diz que pensa em sair do presídio e lutar por todas as mulheres que têm relações abusivas e não têm voz: “Não vou mais ser silenciada”.

Por fim, ela pretende construir uma nova família e mudar de profissão e não mais dar aulas em escolas.“Se Deus me permitir, sim. Pensei até numa produção independente. De repente? Quero recomeçar de repente dando palestras, e lançar meu livro. De repente fazer mestrado, dar aula em faculdade. Educar nunca é pequeno, é transformador”.

Julgamento

O ex-casal foi preso um mês após a morte da criança, no dia 8 de abril, e declarado oficialmente investigado. Conforme as informações repassadas pela polícia, o pedido de prisão aconteceu pelo casal atrapalhar investigações e ameaçar testemunhas.

No dia 3 de maio, a polícia concluiu as investigações sobre a morte do menino Henry, e indiciou Monique e Jairinho por homicídio doloso (intencional) com duas qualificadoras: utilização de tortura e impossibilidade de defesa da vítima. Além do homicídio, Jairinho responderá também por dois crimes de torturas, e Monique por omissão, já que foi alertada pela babá das agressões contra o filho e nada fez.

Além da acusação de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e meio cruel), Monique e Jairinho também são acusados de tortura, fraude processual, falsidade ideológica e coação. As penas podem chegar a 30 anos de prisão para cada um.

*Com informações do UOL