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Defensor do isolamento social, estudante sem comorbidade morre de Covid aos 22 anos

"Ele tinha muito medo de contrair a Covid. Não tanto por ele, mas por minha causa e também pela avó dele, que tem 77 anos", diz Katherine Lopes, mãe do jovem.

09:18 | 08/06/2021
Matheus Lopes. (Foto: Reprodução/ Instagram)
Matheus Lopes. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Defensor da vacinação em massa e do isolamento social nas redes sociais, o estudante Matheus Lopes de Carvalho, de 22 anos, foi mais uma vítima de complicações provocadas pela Covid-19. O país contabiliza 474.614 óbitos e 16.985.812 casos da Covid-19, conforme o último balanço do consórcio de veículos de imprensa com informações das secretarias de Saúde.

O jovem não possuía nenhuma comorbidade ou doença crônica ou congênita. Matheus morreu na Casa de Saúde de Santos, litoral de São Paulo, no último domingo, 6, após ser acometido por uma infecção generalizada (sepse), depois de mais de 15 dias em tratamento contra a doença na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Katherine Lopes de Oliveira, de 42 anos, mãe do jovem, afirmou que o rapaz passou o último um ano e meio trancado em casa, só saindo para visitas à farmácia ou ao supermercado.

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"Ele tinha muito medo de contrair a Covid. Não tanto por ele, mas por minha causa e também pela avó dele, que tem 77 anos. Eu sou asmática e hipertensa. Então ele, que já não era um menino de ir em baladas ou ficar de bobeira na rua, ficou ainda mais alerta", detalhou a mulher em entrevista ao UOL.

Matheus tinha o sonho de ser médico desde os 8 anos e desejava se voluntariar para trabalhar no projeto Médicos Sem Fronteiras, que atua minimizando o impacto de doenças em países que vivem conflitos sociais, econômicos e políticos.

Desde que o coronavírus começou a se espalhar pelo País, Matheus suspendeu a presença nas aulas e passou a estudar em casa. “Na medida em que via que o número de jovens morrendo de Covid crescia, passou a ser um ativista nas redes sociais. Twitter, Facebook, Instagram. Ele usava as redes para passar o seu conhecimento e fazer alertas sobre a importância da vacinação em massa e do isolamento social", conta a mãe do rapaz.

Katherine acredita que o filho se contaminou no dia em que teve de ir buscar um par de óculos em uma ótica da cidade onde morava. O rapaz que sempre andava com duas máscaras e face shield, no dia em que foi a loja, teria sido convencido pela atendente a retirar as proteções para que pudesse provar os novos óculos.

Cerca de cinco dias depois, em 12 de maio, os sintomas da doença começaram e o jovem apresentava febre e muita dor de cabeça. Matheus foi levado ao hospital, onde o estudante recebeu medicação e uma guia para fazer o teste da Covid-19. O resultado deu positivo.

"Quando chegamos em casa, ele chorou muito. Ficava pedindo perdão por estar doente e implorava para que eu e minha mãe, a avó dele, ficássemos distantes. O médico receitou antibiótico e corticoide, mas o tratamento não deu certo. Levei ele mais algumas vezes ao PS, mas continuavam afirmando que ele não precisava ficar internado", detalha ela.

Depois disso, Matheus teve de fazer uma tomografia de emergência após um tratamento com oxigenoterapia. Ele estava com uma fístula na traqueia, e o oxigênio estava vazando para cavidades internas do corpo, no peito e no pescoço, provocando inchaço e desconforto, levando o jovem a ser internado na UTI.

"Antes de entrar na UTI, ele disse, segurando a minha mão: 'Eu te amo, mãe'. Essas foram as últimas palavras do meu filho", lembra Katherine.

"Agora entendo que devo continuar o trabalho dele, de conscientizar as pessoas para a gravidade dessa doença. Por isso, faço um alerta aos jovens sem comorbidades, como ele. Não aglomerem, não corram riscos à toa. Essa doença é letal, é perigosa. E mata até mesmo jovens saudáveis como vocês", concluiu.

*Com informações do UOL