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Servidores do Ministério da Saúde vacinam garimpeiros em troca de ouro

As vacinas seriam destinadas para a imunização da população indígena Yanomami. De acordo com a acusação, ao menos dois servidores estariam envolvidos no esquema

23:24 | 13/04/2021
Servidores ganhariam outro em troca das doses do imunizante (Foto: Ascom/Ibama)
Servidores ganhariam outro em troca das doses do imunizante (Foto: Ascom/Ibama)

A associação Hutukura Associação Yanomami afirmou nesta terça-feira, 13, que há suspeita de que servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde, têm vacinado garimpeiros contra Covid-19 e, em troca, recebem ouro extraído ilegalmente. O documento assinado por Dário Kopenawa, vice-presidente da associação, indica ao menos dois responsáveis pelo esquema.

De acordo com o portal G1, um ofício foi enviado no último dia 8 ao Ministério Público Federal (MPF) e à Sesai. A suspeita iniciou em janeiro, logo após as vacinas começarem a ser aplicadas em Roraima. As autoridades em Boa Vista já foram alertadas sobre o caso para que tomassem providências.

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O documento acusa uma técnica em enfermagem, que atuava no pólo base Humuxi, por trocar as vacinas com os invasores da terra indígena. “Nessas regiões é bem comum a troca de materiais por ouro, como remédios, e infelizmente, às vezes esses profissionais acabam se deixando levar”, afirmou Kopenawa. Além disso, a profissional de saúde é acusada de desviar gasolina e um gerador de energia do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y) para os garimpeiros, também em troca de ouro.

Ainda, uma servidora é suspeita de desviar medicamentos destinados aos indígenas para tratar garimpeiros à noite, na região do Uxiu. O caso foi relatado por uma liderança indígena em uma reunião com o secretário da Sesai e o coordenador do Dsei-Y.

De acordo com o ofício, é comum a queixa dos Yanomami de que o materiais e medicamentos destinados à saúde indígena estão sendo desviados para atendimento aos garimpeiros. "É inadmissível que, em meio à insistente piora nos índices de saúde das comunidades indígenas da Terra Indígena Yanomami e em plena pandemia da Covid-19, o órgão responsável pelo atendimento da saúde indígena tenha seus recursos desviados para atendimento de não indígenas que trabalham no garimpo ilegal", diz outro trecho do oficio.

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A Terra Yanomami é a maior reserva indígena do Brasil e se localiza entre os estados de Roraima e Amazonas, e em boa parte da fronteira com a Venezuela. Mais de 26,7 mil índios habitam a região em cerca de 360 aldeias. A estimativa é que ao menos 20 mil garimpeiros atuam ilegalmente no território. Por conta da presença de garimpeiros na região, os casos de Covid-19 entre indígenas avançaram 250%, entre agosto e outubro de 2020.