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Idosa que montou varal de máscaras para doação no interior de SP morre vítima de Covid-19

Em maio do ano passado, Maria Ruiz Vertuan, de 72 anos, começou a costurar máscaras contra coronavírus para ocupar seu dia durante o isolamento e minimizar os efeitos de uma depressão

Mirla Nobre
15:44 | 29/01/2021
A ação solidária acontecia no portão da sua casa (Foto: Reprodução/Instagram)
A ação solidária acontecia no portão da sua casa (Foto: Reprodução/Instagram)

A costureira de Jaú, interior de São Paulo (SP), que montou um varal de máscaras para doar a quem não tinha condições de comprar o item, que protege contra a Covid-19, morreu na última terça-feira, 26, vítima do novo coronavírus. Em maio do ano passado, a idosa Maria Ruiz Vertuan, de 72 anos, começou a costurar máscaras para ocupar seu dia durante o isolamento e minimizar os efeitos de uma depressão. A ação solidária acontecia no portão da sua casa.

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A evolução da doença em Maria Ruiz foi rápida e violenta, segundo informou o filho da costureira, Carlos Roberto Vertuan, de 46 anos. Após os primeiros sintomas do vírus, a idosa veio a falecer em menos de uma semana. O filho da costureira ainda conta que a mãe reclamou de um mal-estar na quarta-feira, 20 de janeiro, e foi levada a uma unidade de saúde. No sábado, 23, já com falta de ar, voltou ao hospital e ficou internada com respirador. As informações são do portal G1.

Nessa segunda, 25, a costureira foi para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com entubação. No dia seguinte, a família recebeu uma ligação informando que Maria não tinha resistido às complicações da Covid-19. Ela foi enterrada no mesmo dia, sem velório, no cemitério municipal de Pederneiras, onde tinha parentes. O filho conta que ela não saía para quase nada, apenas para ir ao médico, a uma farmácia. “Não acreditamos que aconteceu com a gente”, lamenta Carlos.

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Segundo ele, que teve Covid em novembro do ano passado, mas que cumpriu a quarentena sem sintomas, a mãe já fazia planos por uma nova rotina com a chegada da vacina. “Ela sempre falava da vacina, agora que começou a chegar ela estava esperançosa, sempre repetindo pra sua neta frases como ‘logo tô vacinada’. Mas não deu tempo”, disse.

Apesar da tristeza pela partida da idosa, ações solidárias como a de fazer máscaras para quem não podia comprá-las foi a lição que ela deixou para a família, disse o filho. “Minha mãe sempre teve bom coração, sempre ajudou as pessoas, e nos deixou a lição de que devemos ajudar sempre que pudermos”, diz.

Solidariedade durante a pandemia

Em maio do ano passado, Maria, que era costureira, viu os pedidos da profissão praticamente sumirem em virtude do isolamento social da época. Logo veio a ideia de fazer as máscaras e distribuir para pessoas carentes. Sem poder sair de casa por conta do isolamento, a saída para doar uma produção diária, que variava entre 30 e 40 unidades de máscaras de tecido, foi montar um varal improvisado no portão de sua casa, no Jardim Santa Helena.

Segundo ela, o abastecendo do varal começou com saquinhos contendo três máscaras de pano, mas com o sucesso das retiradas, passou a fazer saquinhos com duas unidades. Além de ajudar as pessoas necessitadas, a costureira disse que a atividade solidária que descobriu durante a pandemia também a ajudou a enfrentar o problema da depressão que, segundo ela, se agravava diante da falta de trabalho.

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De acordo com o filho da costureira, Maria fez máscaras ainda por um bom tempo e só parou quando se revoltou com pessoas que paravam em frente ao portão “em carrões de luxo’ para pegar todas as máscaras que seriam destinadas a quem não podia comprá-las.