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Brasil
NOTÍCIA

Cliente ofende garçom negro e donos de lanchonete na Paraíba registram B.O. contra mulher

Cliente argumentou que "não se sente bem" sendo atendida por um funcionário negro

08:15 | 11/12/2020
Cliente procurou atendimento por aplicativo de mensagens após ter feito refeição no local com a família.  (Foto: Reprodução/ Instagram)
Cliente procurou atendimento por aplicativo de mensagens após ter feito refeição no local com a família. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Os donos de uma lanchonete do município de Campina Grande, na Paraíba, foram surpreendidos na madrugada desta terça-feira, 8, pelas reclamações de uma cliente que teria sido atendida por um garçom negro. Nas mensagens enviadas ao dono da lanchonete, a mulher diz que não é “obrigada a ser atendida por um negro” e que ter um funcionário negro “mancha a imagem da lanchonete”.

A mulher procurou o atendimento com o dono por um aplicativo de mensagens após ter feito uma refeição no local com a família. Nas primeiras mensagens, ela diz: "Tenho uma reclamação a fazer. Pensei que sua lanchonete era um local de respeito. Estava passando hoje na sua lanchonete e avistei um funcionário de cor escura atendendo”.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais após o perfil oficial da lanchonete tornar públicas as mensagens recebidas pela cliente. Ela argumenta que o atendente “foi até um rapaz educado, mas a cor dele não se nega”. Na conversa, o dono do estabelecimento acreditou se tratar de uma “brincadeira”, e respondeu: “Não entendo! Sinceramente ainda acho que é uma brincadeira. Aqui não há lugar para soberba, todos são iguais.”

Ao compartilhar as capturas de tela em publicação na rede social Instagram, a lanchonete publicou uma nota de repúdio às mensagens recebidas e disse que tomou medidas legais contra a cliente. “A Fast Food não aceita nenhum tipo de desrespeito, racismo é crime! A priori chocados com a situação pensamos em não trazer a público, pois acreditávamos ser uma pegadinha. Porém, certificando-nos de que tratava-se realmente de um caso de racismo, a empresa tomou as devidas medidas legais cabíveis.”, diz o texto.

Em entrevista ao portal de notícias UOL, o proprietário da lanchonete, Ramon Vieira, contou que ele e a esposa registraram um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil. Ele relata que, ao ler as mensagens, pensou em não contar ao funcionário as ofensas que tinha sofrido.

"Foi muito constrangedor, pensamos em como ele receberia tudo isso. Mas eu e minha esposa decidimos fazer uma reunião com a equipe e então falamos sobre o fato. Gabriel e outras pessoas se emocionaram, foram ataques fortes. É algo que a gente vê em filme, em novela, mas nunca imagina que vai acontecer tão perto de nós", declarou em entrevista.