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NOTÍCIA

Um dia após eleição, Doria amplia restrições para conter pandemia em São Paulo

Com a medida, todos os setores da economia que lidarem com público em sistema de prestação de serviços presenciais deverão ter a capacidade de funcionamento limitada em 40%

Alan Magno
12:43 | 30/11/2020
Doria anunciou as novas medidas mais restritivas para SP em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 30

 (Foto:  Governo de São Paulo / Divulgação)
Doria anunciou as novas medidas mais restritivas para SP em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 30 (Foto: Governo de São Paulo / Divulgação)

Um dia após o fim do segundo turno das eleições 2020, todo o estado de São Paulo vai regredir para a fase amarela do plano de abertura da economia. A decisão foi tomada pelo governador João Doria por conta do crescimento do número de pessoas que contraíram o novo coronavírus. Todo o Estado retorna para a fase amarela.

Com a medida, todos os setores da economia que lidarem com público em sistema de prestação de serviços presenciais deverão ter a capacidade de funcionamento limitada em 40%. Os estabelecimentos comerciais deverão cumprir horário máximo de funcionamento de 10 horas por dia, não podendo funcionar após às 22h.

No que diz respeito ao setor cultural e de lazer, este deve permanecer funcionando como antes, com a condição de que qualquer evento presencial não poderá apresentar público em pé, sendo os participantes alocados em mesas, com uso obrigatório de máscaras e respeito ao distanciamento mínimo de dois metros. 

A decisão foi anunciada em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 30. O centro de contingência para a Covid-19 chegou a cogitar regredir apenas as regiões mais críticas, mas o entendimento mudou. Está prevista até a manhã de terça-feira uma reunião com prefeitos das regiões consideradas mais críticas: ABC Paulista, Baixada Santista e Sorocaba.

Ainda que todo o estado de São Paulo adentre na Fase Amarela, as medidas restritivas mais intensas devem ser implementadas com maior rigor nas localidades onde a transmissão do vírus está mais acelerada. Ao todo, 62 municípios apresentaram aumento na transmissão da Covid-19, gerando a necessidade de endurecer as medidas restritivas.

Nestas localidades, a taxa médica de ocupação dos hospitais ultrapassa os 75% dos leitos, além disso, parte destes municípios, registraram aumento de cerca de 10% na transmissão do novo coronavírus. O recorte de aumento não inclui a capital paulista. 

MEDIDAS MAIS SEVERAS DE ISOLAMENTO

Considerando os atuais critérios do governo, na Fase Amarela salões de beleza, bares, restaurantes, academias, parques e atividades culturais (com público sentado) podem continuar abertos, mas com restrições de horário e limite de público— há, porém, a possibilidade de abrandamento das restrições caso as taxas de novas internações voltem a serem reduzidas. O funcionamento de escolas também não deve ser alterado.

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Dentro das atividades apontadas como responsáveis pelo aumento na transmissão do vírus, está a realização de festas, celebrações e atividades noturnas de lazer, que seguem ocorrendo com desrespeito às normas sanitárias de distanciamento e uso obrigatório de máscaras. Tais ações, segundo o coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19, o médico João Gabbardo, "um dos motivos bastante significativos para que a gente tenha esse aumento na transmissão da doença".

João pontuou ainda que a decisão de colocar todo o estado de São Paulo em estado de alerta é uma medida que busca assegurar que a transmissão não assuma uma proporção incontrolável e pontuou que o aumento registrado no estado ainda é considerado baixo, diante do comparativo com outras localidades que também apresentaram um segundo momento de crescimento das infecções, após uma aparente estabilização. 

“Estamos trabalhando para evitar a gravação aqui, de uma forma que tanto a saúde quanto a economia sejam protegidas”, complementou Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado de São Paulo. Em sua fala, ela frisa que as medidas são uma ação de cautela que buscam desacelerar novamente a transmissão do vírus, com o menor impacto possível para o setor econômico. "Nós estamos trabalhando para evitar cenário onde medidas mais rígidas sejam necessárias", completou. 

Como forma de evitar a necessidade de ações mais ostensivas, o secretário de Saúde de SP, Jean Gorinchteyn, pontuou que será implementada um sistema mais intenso de fiscalização das medidas sanitárias, em uma ação conjunta do estado e das gestões municipais. "Vamos praticamente quadruplicar o número de fiscais, e aí sim teremos uma intervenção mais efetiva, fazendo não só a fiscalização, mas também as autuações necessárias", acrescentou. 

Sem Lockdown 

Ainda durante a coletiva, o governador de São Paulo, João Doria, frisou que caso o índice de transmissão da Covid-19 continue se agravando no estado, medidas de restrição e isolamento mais severas serão adotadas, mas descartou a possibilidade de implementar um "lockdown" no estado.

A medida de determinar o fechamento total de todos os setores do estado foi reconhecida por ele como algo válido no combate ao novo vírus, mas sendo uma situação não prevista pra São Paulo. “Medidas restritivas estão sendo adotadas, anunciadas hoje e formuladas com participação da população. Medidas restritiva sim, mas lockdown, não”, comentou ao descartar totalmente a possibilidade.

Festas de fim de ano

Ainda que tenha descartado o lockdown, Doria prometeu ações severas de fiscalização diante das festividades de fim de ano. Segundo ele, o momento delicado vivido mundialmente não pode ser encarado em meio a comemorações e festas, sendo tais ações, somente possíveis, após a vacinação. 

"O governo vai proibir toda e qualquer tipo de festa ou comemoração, sejam públicas ou privadas, enquanto não houver vacinação. Tomaremos todas as medidas legais cabíveis para proibir qualquer celebração de Natal ou Fim de Ano que promova aglomeração", declarou. 

Por fim, encerrando o pronunciamento, Doria utilizou o momento para criticar o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido), pontuando que o vírus causador da Covid-19 era a verdadeira ameaçada, "o vírus mata, a quarentena não", afirmou.

Ele frisou ainda que a gravidade da pandemia é intensificada diante de comportamentos que minimizam a seriedade da doença, como os assumidos por Bolsonaro ao se referir à infecção como "uma gripezinha". Doria questionou ainda a falta de ação do Governo Federal em elaborar um plano para compra, produção e distribuição de uma das vacinas experimentais contra o novo coronavírus. "Onde está o plano nacional de imunização para a aplicação das vacinas para salvar as vidas dos brasileiros?", questionou Doria.

*Com colaboração da repórter Gabriela Feitosa