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NOTÍCIA

Elefante que ficou 'viúvo' após morte de companheira será monitorado em zoo de SP

A elefanta Haisa morreu na última quarta-feira, 18, deixando o companheiro elefante Sandro. Ela sofria de artrose, mas o laudo da causa da morte ainda será divulgado

09:12 | 24/11/2020
Sandro e Haisa no zoo de Sorocaba (SP). (Foto: TV TEM/Arquivo)
Sandro e Haisa no zoo de Sorocaba (SP). (Foto: TV TEM/Arquivo)

O elefante asiático Sandro vivia com a elefanta Haisa no recinto do Zoológico Municipal "Quinzinho de Barros", em Sorocaba, São Paulo, há mais de 20 anos. Com a morte da companheira, na última quarta-feira, 18, ele receberá agora um acompanhamento especial. Haisa sofria de artrose, mas o laudo da causa da morte ainda será divulgado.

Segundo o portal G1, a primeira medida da Prefeitura será monitorar o comportamento do animal. Caso demonstre alguma alteração, o zoo irá aumentar a frequência das atividades de enriquecimento ambiental com o objetivo de melhorar a interação de Sandro com o espaço de forma lúdica e positiva.

Outro cuidado será aumentar as atividades que envolvam a interação entre Sandro e os tratadores do zoo, de forma a impulsionar a sociabilidade do animal.

Sandro e Haisa viviam juntos desde 1995 em Sorocaba. A elefanta nasceu na Ásia e vivia em Santa Catarina, em um recinto com duas irmãs. Já Sandro é da América Latina e tinha 26 anos quando conheceu a companheira no zoo.

Segundo a equipe do zoológico, na natureza os elefantes asiáticos vivem em grupos sociais formados por fêmeas, em sociedades matriarcais. Já os machos costumam ter hábitos mais solitários. Por isso, os especialistas ainda não têm muitas informações sobre como Sandro irá lidar com a morte de Haisa.

 

Morte da elefanta


Antes da morte de Haisa, vídeos publicados nas redes sociais mostravam que o animal não conseguia caminhar ou se alimentar e tinha machucados pelo corpo.

Conforme a prefeitura, desde maio a elefanta vinha apresentando dificuldade locomotora. Além disso, uma avaliação clínica mostrou aumento de volume em membros torácicos e enrijecimento articular nos cotovelos do animal. Após exames, foi constatado um quadro de artrose, uma doença degenerativa que não tem cura.

"Haisa vinha sendo medicada com anti-inflamatórios, analgésicos e condroprotetores (complementos que estimulam a nutrição, hidratação e regeneração das cartilagens), e estava apresentando melhora satisfatória. Todos os demais cuidados em prol da qualidade de vida da Haisa, além do controle da artrose, vinham sendo tomados por toda a equipe do zoológico de Sorocaba", informou a prefeitura.

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema), um guarda civil municipal fazia patrulhamento no local quando presenciou o momento em que Haisa morreu perto do recinto. Não há informações sobre como teria ocorrido a morte do animal.

Na madrugada seguinte, o animal foi retirado do zoo com a ajuda de um guindaste e transportado até o hospital veterinário de uma universidade particular de Sorocaba por um caminhão.

Ainda conforme a pasta, o corpo de Haisa passou por exames de necropsia para identificar a causa da morte e o laudo deve sair em 45 dias. O processo foi acompanhado por especialistas do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP). 

O zoológico ficou fechado na quinta-feira, 19, e reabriu nessa sexta, 20. O anúncio da morte da elefanta foi feito pela Sema na quarta-feira, 18, horas depois que uma ONG informou ter entrado na Justiça para apurar a situação do animal, que sofria de artrose. Além da ONG, o Ministério Público abriu um procedimento preparatório.

Segundo a ação do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal na Vara da Fazenda Pública de Sorocaba, Haissa parecia apresentar infecção e necrose nas patas, não conseguindo se firmar em pé.

De acordo com o promotor Jorge Alberto de Oliveira Marum, a averiguação do caso seria preliminar por parte do MP. A Sema afirmou que não recebeu nenhuma notificação.

Enterro e homenagem


O corpo de Haisa foi enterrado um dia depois de sua morte. Uma força-tarefa foi montada por equipes do zoológico da cidade na quinta-feira, 19, para enterrar o animal em uma área do Parque Natural "Chico Mendes". 

Um trator foi usado para abrir a cova e um guindaste para retirar o corpo do animal, que chegou em um caminhão. Na sequência, cerca de 15 funcionários prepararam o solo com cal para receber o corpo de Haisa. A seguir, a elefanta foi içada pelo guindaste e colocada na cova e um trator colocou a terra de volta.

Após o enterro, os funcionários do zoológico se reuniram na área e fizeram uma salva de palmas para homenagear a elefanta. Segundo a prefeitura, um memorial será construído no local.

Na natureza, o elefante-indiano é encontrado nos campos abertos da Índia, Sumatra e Ceilão. O animal tem na alimentação capim, brotos macios e frutas. Ele pode pesar de 3 mil a 4 mil quilos e vive em média 60 anos.