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Brasil
NOTÍCIA

Vereadora eleita em Joinville sofre ataques após se tornar a primeira negra a ocupar o cargo de vereadora

Ana Lúcia (PT) registrou um Boletim de Ocorrência (BO) e denunciou ameaças em sua página oficial do Instagram

Gabriela Almeida
07:55 | 19/11/2020
Vereadora recebeu ataques que foram agravados com a sua eleição (Foto: Reprodução/ Instagram @profanaluciamartins)
Vereadora recebeu ataques que foram agravados com a sua eleição (Foto: Reprodução/ Instagram @profanaluciamartins)

Primeira mulher negra a ser eleita para a Câmara de Vereadores em Joinville, Santa Catarina (SC), Ana Lúcia Martins (PT) tem sofrido injúria racial nas redes sociais. Conforme relato feito pela petista em sua página oficial no Instagram, os ataques iniciaram antes mesmo do resultado da eleição ser divulgado, no último domingo, 15. 

A vereadora, de 54 anos, se elegeu após receber 3.126 votos, correspondente a 1,18% do total. Em sua publicação, Ana relata que teve as redes sociais invadidas horas antes de saber que seria eleita, e destaca que o quadro foi agravado depois do resultado da apuração, por mensagens que ameaçavam sua morte.

"E para agravar, por meio de um perfil fake, recebi, por duas vezes, ameaças de morte, evidenciando que o problema central era eu ser a primeira mulher negra eleita da cidade", informou. De acordo com a petista, a pessoa por trás desse perfil tem destilado "todos os tipos de preconceitos e discriminações possíveis".

Além disso, o responsável pelas ameaças tem evidenciado que está organizado com outros indivíduos da cidade, em um grupo que se autodenomina como “Juventude Hitlerista”. Ana relembra ainda que uma jornalista da imprensa local chegou a ter uma "reação violenta" quando soube que ela havia sido eleita.

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Em outro trecho da publicação, a vereadora fez um apelo para que as pessoas combatam todos os tipos de discriminação. "Não vão nos calar. Não vamos recuar. Seguimos firmes, com coragem e disposição para defender os direitos da população negra, das mulheres, da juventude, da população periférica, imigrantes e refugiados e da classe trabalhadora", declarou.

Medidas tomadas

 

A vereadora fez um Boletim de Ocorrência (BO) após ter sofrido ameaças que colocaram a sua integridade física em risco. De acordo com o portal de noticias G1, a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) instaurou inquérito por injúria racial e ameaça, para investigar o caso. 

O órgão afirmou à reportagem que vai analisar racismo posteriormente, pois a priori as ações estão sendo averiguadas como injúria racial. Com as investigações ainda no inicio, não se sabe quem é o autor do perfil fake- responsável pelas ameaças de morte.

Além disso, movimentos sociais da cidade organizaram um ato em defesa da vereadora. "Sabia que não seria fácil. Estava ciente que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século XXI a primeira mulher negra. Só não esperava ataques tão violentos", desabafou Ana.