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Brasil
NOTÍCIA

Nordestinos fumam menos, mas índice é maior entre negros e pessoas com baixa escolaridade

O tabagismo é fator de risco para diversas doenças crônicas e é considerado uma epidemia

Catalina Leite
10:48 | 18/11/2020
O Nordeste é a região brasileira com maior índice de cessação de tabaco no Brasil, estando acima da média nacional. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)
O Nordeste é a região brasileira com maior índice de cessação de tabaco no Brasil, estando acima da média nacional. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

O Nordeste é a segunda região que menos fuma no Brasil, atrás apenas do Norte, divulga o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, realizada em convênio com o Ministério da Saúde, apenas 11,1% dos nordestinos acima de 18 anos consumiam algum produto derivado do tabaco, o mais comum sendo o cigarro industrial.

O dado demonstra redução significativa do consumo de tabaco no Brasil, um hábito prejudicial à saúde. Segundo relatório do IBGE, a “epidemia de tabagismo é uma das maiores ameaças à saúde pública que o mundo já enfrentou”. Por ano, morrem mais de oito milhões de pessoas pelo tabagismo: mais de sete milhões delas é pelo uso direto, enquanto cerca de 1,2 milhão refere-se à exposição de não-fumantes ao fumo passivo.

No entanto, a realidade ainda é desigual quando considerados fatores socioeconômicos. No Brasil, a população negra, as pessoas com baixa escolaridade e aqueles que vivem em áreas rurais são os que mais fumam. Para se ter uma ideia, o consumo de tabaco por pessoas com ensino superior completo é de 7,1%. Já para aqueles com o ensino fundamental incompleto a porcentagem é de 17,6%.

Além disso, a população negra fuma mais que os brancos. A porcentagem é de 11,8% para brancos, 13,7% para pretos e 13,5% para pardos. É dizer que, estatisticamente, negros estão mais propensos a desenvolver doenças crônicas, como as cardiovasculares, as respiratórias, diversos tipos de câncer e problemas oculares como catarata e cegueira.

Marcas ilegais de cigarro e ex-usuários

 

A pesquisa também investigou o tamanho do mercado ilegal de cigarros no País. Para isso, perguntaram aos entrevistados a última marca comprada por eles, dividindo as respostas entre marcas legais e ilegais. No Brasil, 34,7% das pessoas compraram alguma das marcas classificadas como ilegal. A proporção no Nordeste é a mesma (34,7%), e a maior do País é a da Região Centro-Oeste, com 43,6% de menções a marcas ilegais. 

Já em relação aos ex-fumantes, o Nordeste está acima da média nacional, com 27% de ex-usuários de tabaco fumado. Dessa forma, a região nordestina tem o maior índice de cessação de tabaco no Brasil, alcançando 71,5%. Para chegar a este número, é necessário quantificar a proporção de ex-usuários entre o total de pessoas que em algum momento foram usuárias (usuários atuais e ex-usuários), explica o IBGE. O índice brasileiro é de 67,9%.