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NOTÍCIA

Piloto do caso Gegê e Paca alega ter sido enganado e diz que Justiça não cumpriu acordo de delação

A delação do piloto do caso Gegê e Paca resultou na interdição de R$ 730 milhões de dinheiro usado por facção criminosa, segundo revelou o UOL

Alan Magno
23:58 | 30/09/2020
Felipe Morais pilotou o helicóptero com o grupo criminoso que executou Gegê e Paca em Aquiraz. Ele alega que a Justiça não cumpriu o acordo de delação premiada firmado no processo do caso (Foto: reprodução REDES SOCIAIS)
Felipe Morais pilotou o helicóptero com o grupo criminoso que executou Gegê e Paca em Aquiraz. Ele alega que a Justiça não cumpriu o acordo de delação premiada firmado no processo do caso (Foto: reprodução REDES SOCIAIS)

Nesta quarta-feira, 30, a Polícia Federal desencadeou a operação “Rei do Crime” com intuito de desarticular as atividades econômicas de lavagem de dinheiro responsáveis por patrocinar a atuação de uma facção criminosa. A ação, de acordo com informações divulgadas pelo UOL, teve como base a delação premiada de Felipe Ramos Morais, piloto de helicóptero responsável por conduzir em uma aeronave Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, conhecido como Paca, para uma emboscada em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Os dois homens eram líderes do núcleo cearense de uma facção criminosa com atuação em todo o território nacional. Assassinados no dia 15 de fevereiro de 2018 em uma região de reserva indígena, eles eram acusados pela facção que integravam de desviar dinheiro do núcleo principal do grupo criminoso.

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Preso desde maio de 2018, Felipe alega ter sido enganado por agentes da Polícia Federal (PF) e afirma que a Justiça não cumpriu o acordado para a delação. Ele cumpre pena no presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Em busca por responder o processo em liberdade, além de tentar reduzir sua pena, a defesa conseguiu aprovação do Supremo Tribunal Federal no dia 4 de setembro de 2020 para protocolar um alvará de soltura. O pedido se justificava na afirmação da defesa do piloto de que ele foi coagido por meio de torturas e ameaças, ocorridas um dia antes da mortes de Gegê e Paca, a continuar prestando serviços para a facção criminosa.

A deleção do piloto ocorreu em 2019 e, além do bloqueio de milionário em contas suspeitas de serem provedoras do grupo criminoso, resultou na intervenção de 70 empresas e na realização de 13 mandados de prisão preventiva e diversas outras ações em 10 cidades do país. Apesar disso, a defesa de Felipe pontuou ao UOL que ao procurar a Justiça cobrando sobre o alvará de soltura, fruto da delação, não recebeu resposta.

Ao todo, a operação “Rei do Crime” deflagrou ainda nesta quarta-feira, 43 mandados de busca e apreensão, sequestro de 32 automóveis, nove motocicletas, dois helicópteros, um iate, três motos aquáticas, 58 caminhões e 42 reboque e semirreboque, com valor aproximado de R$ 32 milhões em bens sequestrados da facção criminosa.

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Ainda segundo o UOL, Felipe teria cometido uma tentativa de suicídio no último dia 18 de setembro. Atendido por uma equipe médica da unidade, ele não sofreu sequelas e continuou preso na unidade em Campo Grande. A ação dele seria em consequência da inatividade da Justiça diante de seus pedidos para que ele passasse a responder o processo em liberdade, como havia acordado antes da delação em 2019. A reportagem revelou ainda que o piloto já havia cometido duas greves de fome anteriormente como forma de tentar pressionar as autoridades quanto aos seus pedidos.

O POVO buscou contato com a Polícia Federal responsável pelas atuações no Ceará e indagou sobre o status do processo de delação premiada envolvendo Felipe Morais, bem como a situação dos pedidos feitos por Felipe e por sua defesa diante das cobranças pelo julgamento e liberação do alvará de soltura. A PF respondeu as solicitações afirmando não a entidade não comentaria publicamente o caso, pois o processo ainda está em andamento