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Receber ligação do próprio número pode ser tentativa de golpe; saiba como se prevenir

Por meio da prática, infratores podem ter acesso aos dados do aparelho; confira dicas para se proteger

Everton Lacerda
14:02 | 22/09/2020
 Os infratores podem realizar essas ligações por meio de ferramentas de voz sobre IP, tendo a possibilidade de fazer ligações com o números de outras pessoas e o da própria vítima. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Os infratores podem realizar essas ligações por meio de ferramentas de voz sobre IP, tendo a possibilidade de fazer ligações com o números de outras pessoas e o da própria vítima. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Você já recebeu uma ligação do seu próprio número de telefone? É preciso estar alerta e não atender, pois a chamada pode ser uma tentativa de golpe, conforme explicam especialistas em segurança de dados.

Os infratores podem realizar essas ligações por meio da ferramentas VoIP (Voz sobre IP), tendo a possibilidade de fazer ligações com o números de outras pessoas. Podem ser aplicados golpes de acesso ao celular, onde dados do aparelho da vítima seriam expostos, e golpes onde os criminosos fingem ser uma pessoa conhecida da vítima em situação de apuros.

 

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“Imagine-se em uma situação onde, no trânsito, você recebe uma chamada de um parente próximo com um áudio associado à extrema violência. Já é comum pessoas serem convencidas de situações de perigo a partir de números de terceiros. O número legítimo apenas dará muito mais credibilidade ao golpista”, explica o especialista em segurança de dados da empresa Morphus, Joel Teixeira.

A prática de usar número, e-mail ou credenciais de outras pessoas é conhecida pelo conceito de “spoofing”. Em 2019, quatro pessoas foram presas sob suspeita de hackear e utilizar a técnica para hackear o aplicativo Telegram do celular do até então ministro da Justiça Sérgio Moro.

Ao tentar acessar o aplicativo de mensagens por meio de um novo aparelho, é necessário digitar um código enviado por chamada. Os hackers então fizeram ligações para o aparelho do então ministro para manter a linha ocupada, o que fez com que a ligação do Telegram fosse para a caixa postal. Os suspeitos então geraram uma ligação do próprio número de Moro e tiveram acesso à caixa postal do aparelho e, consequentemente, à chave de acesso ao Telegram.

Prevenção

 

Conforme explica Teixeira, os ataques dos golpistas são diversificados e estão em constante evolução. O especialista alerta que não há uma ação isolada que resolva sozinha todas as possibilidades de um usuário ter sua segurança ou seus dados comprometidos, porém, existem ações que podem ajudar na prevenção dos crimes virtuais.

Uma dessas ações pode ser a atualização constante dos softwares, pois correções de vulnerabilidades são divulgadas diariamente pelos aplicativos e programas. Além disso, o especialista recomenda a não reutilização da mesma senha em plataformas diferentes, pois quando uma dessas é hackeada, as outras com a mesma senha podem ser comprometidas.

Também é importante estar atento aos dispositivos conectados na sua rede de wi-fi. Aparelhos de baixo custo como babás eletrônicas, aparelhos para acesso à TV e câmeras podem conter acessos remotos para pessoas não autorizadas. Para ligações suspeitas, Teixeira recomenda a desconfiança de pedidos exóticos, links questionáveis e anexos fora de um contexto solicitado por pessoas próximas, pois eles podem estar sendo hackeadas.

Proteção de dados

 

Na última sexta-feira, 18, entrou em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que protege os cidadãos de crimes do tipo e exerce papel fundamental na segurança cibernética da população. A LGPD protege os dados pessoais de pessoas físicas e pode trazer diversas consequências para empresas que permitirem brechas na segurança e não cumpram normas que objetivam a proteção dos direitos fundamentais de liberdade e privacidade.

 

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De acordo com a advogada Liz Alencar, estudiosa da lei, a norma não cria tipos penais novos, mas servirá de valoração para a conduta dos administradores perante aos acontecimentos que envolvam proteção de dados. De acordo com a especialista, a lei é necessária para conceder segurança jurídica para qualquer consumidor ou usuário.

A advogada também explica que hábitos básicos podem garantir o mínimo de seguridade, como por exemplo a utilização de códigos de segurança e antivírus nos aplicativos e aparelhos; a alteração de senhas periodicamente; o não fornecimento de dados pessoais para pessoas desconhecidas; restrita utilização de redes de wi-fis públicas e a atenção com as compras on-line, sempre estando alerta aos certificados de garantia do site.