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Pesquisador da Fiocruz é preso pela PF e instituições de pesquisa questionam as condições da prisão

Guilherme Franco Netto é reconhecido como pesquisador sério em dimensões nacional e internacional; ele foi preso na quinta-feira, 6, em investigação da MPF e da PF sobre desvios de recursos da saúde

Catalina Leite
13:58 | 07/08/2020
Guilherme Franco Netto também é responsável por pesquisas sobre o impacto das manchas de óleo no litoral do Nordeste, em 2019, e sobre o rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho (Foto: Divulgação/Abrasco)
Guilherme Franco Netto também é responsável por pesquisas sobre o impacto das manchas de óleo no litoral do Nordeste, em 2019, e sobre o rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho (Foto: Divulgação/Abrasco)

 

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Guilherme Franco Netto, foi preso na manhã dessa quinta-feira, 6, em operação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) que investiga supostos desvios de recursos da saúde. Instituições de pesquisa ficaram perplexas com a ação e questionam as condições da prisão de Netto.

“Exigimos transparência e imediato esclarecimento sobre as razões dessa medida extrema, bem como ressaltamos a importância da presunção de inocência”, afirmam em nota conjunta a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes). O pesquisador é reconhecido como um profissional sério do campo da Saúde Pública e da Saúde Ambiental, além de ser valorizado pela comunidade científica brasileira e internacional.

Guilherme Franco Netto, formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), atuou como diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde (MS) entre 2007 e 2013. Também é responsável por pesquisas importantes sobre o impacto das manchas de óleo no litoral do Nordeste, em 2019, e sobre o rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho.

“Chamamos a atenção de toda a sociedade brasileira, da comunidade acadêmica, dos profissionais de saúde [...] para que fiquem especialmente atentos em relação ao ocorrido”, alerta a nota da Abrasco e Cebes. “É essencial que acompanhemos, com firmeza e em busca de justiça, seus desdobramentos. Não devemos permitir que acusações e conclusões precipitadas atinjam a honra de instituições e pessoas comprometidas com o país”, concluem.

A Fiocruz abriu um procedimento interno para apurar as circunstâncias que teriam levado à prisão do médico e se disse “surpreendida” com o acontecimento. “A Fiocruz defende o princípio constitucional de presunção de inocência, tem convicção de que os fatos serão devidamente esclarecidos e está dando todo apoio necessário ao seu servidor, em contato direto com a família”, garantiu em nota.

Operação do MPF e da PF

A prisão do pesquisador se deu dentro da Operação Dardanários, comandada pelo MPF e pela PF. Na quinta-feira, 6, a ação cumpriu seis mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.

De acordo com nota do MPF,  a operação apura desvios de recursos do RJ “repassados para organização social que administrou diversos hospitais no Rio e em outros locais do Pais”. O esquema funcionaria pela geração de “caixa 2”. A nota explica que, após colaboração premiada de ex-diretores da organização social Pro-Saúde, a investigação identificou um esquema de direcionamento de contratos da Junta Comercial do Estado de Goias (Juceg) e da Fiocruz, por meio da Fundacao de Apoio Fiotec.

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Para os investigadores, Guilherme Franco Netto integraria o esquema de dentro da Fiocruz. “Nestes casos, os empresários colaboradores narraram que obtiveram exito na contratação de serviços de sua empresa em razão do comando ou da influencia que os investigados exerciam nos órgãos, e, em troca, pagaram altas quantias de dinheiro em especie ou ate mesmo através de depósitos bancários”, afirma o MPF.