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Brasil
NOTÍCIA

4 milhões de comprimidos de cloroquina estão em estoque do Governo Federal, diz jornal

O total de comprimidos parados em estoque poderia ser maior, considerando que alguns estados se negaram a receber o medicamento

Ismia Kariny
12:23 | 24/07/2020
Durante parte do primeiro semestre de 2020, o presidente deu declarações minimizando a Covid-19, chegando a aparecer em público com uma caixa de cloroquina (Foto: MATEUS BONOMI/AGIF/AE)
Durante parte do primeiro semestre de 2020, o presidente deu declarações minimizando a Covid-19, chegando a aparecer em público com uma caixa de cloroquina (Foto: MATEUS BONOMI/AGIF/AE)

Mais de 4 milhões de comprimidos de cloroquina estão parados em estoque do Governo Federal. Técnicos que fazem parte do comitê de emergência, que assessora o Ministério da Saúde e suas decisões, já haviam alertado sobre essa realidade em maio. No início de julho, o Governo tinha uma reserva de 4.019.500 comprimidos do medicamento, pouco abaixo do total que já havia sido distribuído até aquele momento, de 4.374.000. As informações são do portal de notícias da Folha de S. Paulo.

"Devido a atual situação não é aconselhável trazer uma quantidade muito grande, pois caso o protocolo venha a mudar, podemos ficar com um número em estoque parado para prestar contas", diz documento que registra o encontro, obtido pela Folha. A reunião ocorreu em 25 de maio, quando o ministério negociava a vinda de cerca de três toneladas de insumos para a produção do medicamento no Brasil.

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Conforme a reportagem, o total parado em estoque poderia ser ainda maior, já que alguns estados se negaram a receber o medicamento. "Com isso, ficou em estoque para devolução 1.456.616, estamos aguardando maiores definições para proceder ou não com o recolhimento", aponta o registro do encontro. Também no documento, há a informação de que novas distribuições de cloroquina estariam previstas para julho e agosto, sem especificar locais ou quantidade.

Na reunião de 25 de maio, o comitê também citou, pela primeira vez, a escassez de medicamentos sedativos e analgésicos usados para intubação de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), apontando necessidade de reunião com a Casa Civil. Medidas sobre a questão foram anunciadas apenas em junho. Segundo a Folha, na reunião também houve uma orientação para que os dados sobre a escassez não fossem divulgados.