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Médica voluntária recebe primeira dose de vacina chinesa contra coronavírus, testada em São Paulo

A médica clínica Stefania Teixeira Porto, 27, foi a voluntária número um. Em vídeo divulgado pelo Governo de São Paulo, ela declarou estar feliz em fazer parte do momento, o qual ela considera histórico.

17:40 | 21/07/2020
Vacinas serão testadas por voluntários (Foto: Aurélio Alves)
Vacinas serão testadas por voluntários (Foto: Aurélio Alves)

A vacina chinesa contra o novo coronavírus desenvolvida pela empresa Sinovach Biotech teve a primeira dose da terceira fase de testes aplicada nesta terça-feira, 21, no Hospital das Clínicas de São Paulo (HC). A imunização será testada em 9.000 voluntários, em duas aplicações. As informações são da Folha de S. Paulo.

A expectativa é que 890 pessoas sejam testadas no Hospital das Clínicas. A médica clínica Stefania Teixeira Porto, 27, foi a voluntária número um. Em vídeo divulgado pelo Governo de São Paulo, ela declarou estar feliz em fazer parte do momento, o qual ela considera histórico. "É uma injeção de ânimo poder participar disso", declarou. 

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Os voluntários serão avaliados por pesquisadores do hospital a cada duas semanas. Durante o período, os participantes recebem um diário para escrever possíveis efeitos colaterais ou sintomas que venham a sentir. Após a primeira aplicação, outra dose será injetada com o intervalo de 14 dias. 

Todos os voluntários são profissionais da área da saúde, que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus. Para ser voluntário é preciso que a pessoa não tenha sido infectada e nem tenha participado de outros testes. Também é preciso que não possua doenças instáveis ou que modifiquem a resposta imunológica. Mulheres não podem ser gestantes ou estar planejando gravidez para o período dos próximos três meses.

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Além do HC, participarão dos testes outros dois centros: Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o hospital Albert Einstein, com previsão de início para até o fim de semana.

A terceira fase de testes, na qual a vacina se encontra, é a última antes de aprovação para produção em massa. Ela serve para constatar a efetividade da proteção em larga escala. Espera-se que os estudos sejam concluídos em até três meses. "Trata-se de um orgulho para São Paulo e para o Brasil”, disse o governador João Doria (PSDB). Dimas Covas, presidente do instituto Butantan, classificou o momento como “dia histórico, que pode entrar para os livros de história”.

O Brasil recebeu na madrugada dessa segunda-feira, 20, 20 mil doses da vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech contra o novo coronavírus. Elas foram transportadas de Frankfurt, na Alemanha, até o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Caso o estudo seja concluído até o fim deste ano — com resultado positivo —, a vacina pode ficar disponível aos brasileiros no início de 2021. O acordo com a Sinovac permite 120 milhões de doses, suficientes para atender a 60 milhões de pessoas. Ainda no acordo está previsto que, caso se comprove a efetividade da imunização, o Brasil receberá mais 60 milhões de doses para distribuição.

Segundo o Governo de São Paulo, uma fábrica está sendo adaptada pelo Instituto Butantan a fim de produzir a vacina, com capacidade para até 100 milhões de doses vacinais. Ao anunciar a parceria em 11 de junho, o governador João Dória (PSDB) afirmou que, se comprovada a eficácia da vacina, a disponibilização dela ocorrerá pelo SUS em junho de 2021.

Outra imunização está em terceira fase de testes no Brasil. A vacina da Universidade de Oxford, no Reino Unido, tem testagem realizada no Brasil pela Universidade de São Paulo (USP), sendo a primeira a receber autorização da Anvisa para testes em território nacional.