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Brasil
NOTÍCIA

Polícia apreende R$ 6 milhões na casa de ex-secretário do RJ acusado de fraudar compra de respiradores

Edmar Santos foi preso nesta sexta-feira, 10, na operação Mercadores do Caos, autorizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro

Alan Magno
00:29 | 11/07/2020
Polícia Civil do Rio de Janeiro apreende milhões de reais em dinheiro vivo ao prender ex-secretário de Saúde do estado por desvio de dinheiro da compra de respiradores (Foto: Reprodução MPRJ)
Polícia Civil do Rio de Janeiro apreende milhões de reais em dinheiro vivo ao prender ex-secretário de Saúde do estado por desvio de dinheiro da compra de respiradores (Foto: Reprodução MPRJ)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu o ex-secretário de saúde do estado, Edmar Santos, durante procedimento de busca e apreensão realizado na casa do ex-gestor nesta sexta-feira, 10. Os policiais também apreenderam diversas malas com dinheiro vivo na casa onde Edmar foi encontrado, na região de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, capital. A contagem preliminar do montante divulgada pelo MPRJ nesta noite aponta quantia de, no mínimo, R$ 6 milhões, com possibilidade de ser ainda maior. 

Segundo as investigações, Edmar era o líder de um esquema de desvio de verbas que seriam destinadas a compras de respiradores e ventiladores mecânicos para unidades de saúde do Rio de Janeiro, como forma de reforço às estruturas de atendimento aos pacientes com coronavírus. Com o avançar do processo, Edmar chegou a ser demitido ainda em maio deste ano.

Um segundo mandado de busca e apreensão também foi cumprido pela polícia em outra residência do ex-secretário, em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro. Procedimento foi autorizado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como sendo um dos desdobramento da operação “Mercadores do Caos”, que buscava averiguar o desvio de verbas destinadas ao enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Rio de Janeiro e resultou na prisão de outras seis pessoas.

Celulares, pendrives, computadores apreendidos nas residências de Edmar serão ainda encaminhados para perícia na Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, em busca de provas do esquema de corrupção. A entidade afirmou ainda que solicitou acesso e extração de dados dos registros telefônicos, SMS e também de aplicativos de mensagens nos aparelhos de Edmar.

A justiça do Rio de Janeiro determinou ainda o confisco de bens e valores do ex-secretário até atingir o equivalente a R$ 36.922.920. O valor, até agora, é a estimativa de quanto ele se beneficiou com o esquema de desvio de dinheiro.

SUPERFATURAMENTO BILIONÁRIO

Além dos desvios, Edmar ainda é investigado em possível esquema de superfaturamento nos contratos firmados sem licitação para compra de insumos para combate à Covid-19 no estado. Edmar firmou contratos no equivalente a R$ 1 bilhão em contratos emergenciais para compra de oxímetros, medicamentos, contratação de leitos privados e outros respiradores.

Ao todo, a pasta comprou 1.000 respiradores de três empresas distintas. Destes, apenas 52 foram repassados para a população. Os equipamentos não eram adequados para tratamento de pacientes com coronavírus. Outros 97 respiradores chegaram a desembarcar no aeroporto do Rio de Janeiro, mas estão retidos no local devido a inconsistências na procedência do material e devido às investigações. As empresas também estão sendo monitoradas pelo MPRJ.

Ainda em liberdade, Edmar teria tentado dificultar as investigações, destruir provas e até ameaçar testemunhas. O MPRJ pontuou também que, mesmo após sua exoneração, Edmar continuou tentando se beneficiar de sua influência quando ocupava o cargo, tentando inclusive ser nomeado como secretário interino, após ser exonerado do cargo de titular da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.

Edmar, tido como principal articulador do esquema, afirmava desconhecer todo o processo de desvio de verbas. Ele manteve a versão de que era inocente, mesmo após a prisão do ex-subsecretário executivo da Saúde do Rio de Janeiro, Gabriell Neve. Com a prisão preventiva efetuada, Edmar passará a responder legalmente pelos crimes de organização criminosa e peculato. Os crimes estipulam penas de três a oito anos e de dois a 12 anos, respectivamente.


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