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NOTÍCIA

Ofensas durante o trabalho são comuns, relata chefe da Vigilância Sanitária do RJ agredido nesse sábado

Descumprimento de regras estabelecidas pela Prefeitura acarretaram no fechamento de cinco estabelecimentos e na aplicação de multa para outros 132; mulher que ofendeu chefe da Vigilância Sanitária foi demitida

14:17 | 06/07/2020
"Cidadão não, engenheiro civil, formado, melhor do que você", disse a mulher a Flávio Graça. (Foto: Reprodução/TV Globo)

“As pessoas começaram a proferir palavras agressivas, xingamentos, palavras de baixo calão. Aí pegaram o celulares e colocaram apontando diretamente para o rosto dos fiscais, a cinco ou dez centímetros do rosto. Não era uma filmagem, era uma forma de agressão”, explicou o superintendente de Inovação, Pesquisa e Educação em Vigilância Sanitária, Fiscalização e Controle de Zoonoses da Prefeitura do Rio de Janeiro, Flávio Graça, nesse domingo, 5, em entrevista ao portal G1.

O episódio referido pelo superintende aconteceu após os bares cariocas serem reabertos, seguindo plano de retomada econômica do Estado, na última quinta-feira, 2. Ele relatou que ofensas são recorrentes no ambiente de trabalho dos fiscais, que fazem um trabalho técnico e psicológico para realização das abordagens. O trabalho é a forma que o poder público tem para garantir que as regras determinadas para reabertura sejam cumpridas.

A cena que gerou repercussão, exibida no Fantástico nesse domingo, 5, aconteceu quando Graça foi ofendido por um casal, frequentador de um restaurante na Barra da Tijuca. A agressão veio após Flávio pedir: “Então você se contenha, cidadão”. A mulher que o acompanhava retrucou: “Cidadão não, engenheiro civil, formado, melhor do que você”.

A mulher foi demitida da empresa onde trabalha na manhã desta segunda-feira, 6. Em nota, a Taesa, empresa privada do setor de energia, disse que “compartilha a indignação da sociedade em relação a este lamentável episódio”.

Questionado pelo G1, Flávio esclareceu que os xingamentos não o atingem. “Qualquer xingamento contra a minha pessoa, contra a minha família ou uma tentativa de diminuir não me atinge, em nenhum momento, a minha integridade. Ali eles demonstraram uma ignorância. Porque cidadão é tudo o que a gente esperava que eles fossem e eles não eram”, ressaltou o superintendente.

Nesse primeiro fim de semana, a Prefeitura do Rio fechou cinco bares e aplicou multa em 132 estabelecimentos. Além das medidas de distanciamento social e do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), os fiscais também analisam as condições sanitárias dos estabelecimentos. “Carnes fora da validade estavam sendo vendidas. Aquelas pessoas que nos agrediram estavam consumindo carne vencida e pagando por isso”, disse Flávio Graça.