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NOTÍCIA

Sobe para 53 o número de mortos após chuvas em Minas Gerais

São 101 cidades mineiras com situação de emergência decretada pelo Estado. Mais 20 municípios também declararam situação de emergência e outros três, calamidade pública

Lucas Braga
11:53 | 29/01/2020
Policiais ajudam a resgatar vítimas em áreas alagadas. Há resistência de moradores em deixar áreas de risco
Policiais ajudam a resgatar vítimas em áreas alagadas. Há resistência de moradores em deixar áreas de risco (Foto: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM/POLICIA MILITAR DE MINAS GERAIS)

Homem morreu nesta terça-feira, 28, em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço mineiro, após ser levado pela enxurrada. Assim, somando à contagem oficial da Defesa Civil, o número de mortos em decorrência das chuvas em Minas Gerais subiu para 53, nos últimos cinco dias.

De acordo com o balanço, 42 pessoas morreram soterradas ou em desmoronamentos e deslizamentos. Além da morte em Coronel Fabriciano, mais oito vítimas foram arrastadas pelas águas e duas morreram afogadas.

Treze mortes aconteceram em Belo Horizonte. A chuva alagou avenidas da cidade, invadiu casas e estabelecimentos comerciais, arrastou carros e arrancou o asfalto em vários pontos. Parte do teto de um shopping desabou.

Há 28.893 desalojados no estado e 4.397 desabrigados. Uma pessoa está desaparecida em Conselheiro Lafaiete, na região Central. Foram contabilizados 65 feridos.

São 101 cidades com situação de emergência decretada pelo Estado. Mais 20 municípios também declararam situação de emergência e outros três, calamidade pública.

Moradores de áreas de risco em Belo Horizonte, que passaram essa desta terça-feira recuperando objetos e limpando a sujeira do desabamento de um barranco no bairro Carlos Prates, não querem deixar os imóveis mesmo diante da ameaça de mais chuva na capital mineira.

Vivendo na região há quase 40 anos, Jair Urubatan de Araújo, de 67 anos, diz que não vai sair. "É a gente sair e o ladrão entrar", afirmou. Mesmo diante da apreensão de eventuais desabamentos na área, o eletricista e pintor afirmou que a família está limpando os estragos, mas não quer deixar a casa. "Deixo o carro pronto na rua e se ouvir qualquer barulho, a gente sai correndo", afirmou. "Mas não vamos sair, não".

Para a vizinha Francisca Araújo de Oliveira, de 74 anos, o dia foi de expectativa para voltar à casa, destruída pelo barranco na última sexta-feira. Aposentada, ela foi abrigada na casa de amigos no alto do morro que teve parte destruída. "Quero voltar pra minha casa", contou ela à Agência Estado. No alto do morro do Beco dos Cristais, há risco de novos deslizamentos.

Francisca disse que foi resgatada pelos Bombeiros minutos antes da terra descer. Ela escapou, mas perdeu toda a criação de galinhas e pintinhos que tinha na casa, localizada no pé do morro. A Defesa Civil de Minas Gerais aconselha os moradores a deixarem as casas de áreas perigosas. Nesta terça, agentes da Defesa Civil percorriam o bairro atingido para entregar cestas básicas aos moradores.

Cidades mineiras onde houve mortes após as tempestades

Belo Horizonte: 13
Betim: 6
Ibirité: 5
Luisburgo: 5
Alto Caparaó: 4
Alto Jequitibá: 3
Pedra Bonita: 3
Simonésia: 3
Contagem: 2
Divinópolis: 2
Carangola: 1
Coronel Fabriciano: 1
Manhuaçu: 1
Olhos D'água: 1
Santa Margarida: 1
Tocantins: 1

Com informações dos jornais O Estado de S.Paulo, O Tempo e Estado de Minas