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Brasil
NOTÍCIA

Laudo da Universidade Federal da Bahia indica que óleo no mar do Nordeste tem origem venezuelana

16:18 | 10/10/2019
Barril de petróleo encontrado no litoral de Sergipe, o estado mais atingido pela contaminação da mancha de petróleo cru que avança no litoral do Nordeste do Brasil
Barril de petróleo encontrado no litoral de Sergipe, o estado mais atingido pela contaminação da mancha de petróleo cru que avança no litoral do Nordeste do Brasil (Foto: AFP/Ademas)

Um terceiro laudo divulgado nesta quinta-feira, 10, produzido pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), indicou mais uma vez que o óleo encontrado no Nordeste é proveniente de bacia petrolífera da Venezuela. Anteriormente, a Marinha do Brasil e a Petrobras haviam chegado à mesma conclusão.

A Venezuela divulgou, também nesta quinta, que não tem responsabilidade sobre o petróleo. O País respondia a manifestação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que, no dia anterior, declarou que "muito provavelmente" o material é venezuelano.

O novo documento foi produzido com a justificativa de ser independente e mais um instrumento de colaboração com as investigações. Também nesta quinta, a Marinha informou que a mancha avançou pelo litoral e já chegou a Arembepe, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Em coletiva de imprensa, a diretora do Instituto de Geociências (Igeo-Ufba), Olívia Oliveira, disse que as amostras recolhidas possivelmente são de petróleo cru que perdeu compostos químicos por meio de evaporação. “Devido ao longo tempo em que o material está no mar, a constatação [sobre ser petróleo cru] fica prejudicada”, disse ela.

Por ter viscosidade alta, os cientistas não descartam a chance de ser bunker, combustível usado em navios. Conforme a nota técnica, a análise dos biomarcadores e da presença de carbono apontaram que o material contaminante tem semelhança com um dos tipos de petróleo produzido na Venezuela. “Nenhum petróleo produzido no Brasil apresenta distribuição de biomarcadores similar aos resultados encontrados”, revelou a diretora.

“Existem alguns organismos que só viveram em determinado período da nossa era geológica, então quando identificamos esses organismos, chamados de biomarcadores, sabemos dizer quando ele viveu e comparamos com a idade das bacias petrolíferas”, esclareceu Olívia ao Correio. A esse processo é dado o nome de geoquímica forense.

Este estudo mais recente será remetido ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), que vem acompanhando e reunindo informações sobre o fato no estado. Os pesquisadores eliminaram a possibilidade de o óleo ser proveniente de vazamento de plataformas brasileiras de extração.

A análise do fluido foi concluída em três dias e contou com uma equipe técnica de 16 pessoas, entre geólogos, biólogos, físicos e químicos. O material oleoso usado no estudo foi coletado nas costas sergipana e baiana em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

“Antigamente, só quem tinha expertise neste conhecimento era a Petrobras. Quando os investimentos governamentais nas universidades cresceram, passamos também a investigar as amostras das bacias de petróleo. Quando acontecia um acidente, se a Petrobras fosse culpada, ela mesmo que se investigava. Então, isso não pode e é por isso que nosso estudo é importante, porque é isento”, observou a diretora em fala ao Correio.

Do Correio para a Rede Nordeste