PUBLICIDADE
Brasil
Noticia

Kombi onde menina Ágatha foi baleada no Alemão passa por perícia

Peritos analisaram de qual direção veio o tiro com base nos buracos da bala no estofado do banco. Uma cânula foi usada para simular o trajeto do projétil. Não foi encontrada marca de tiro no porta-malas. A Polícia ainda informou que fará uma reconstituição do crime

14:18 | 23/09/2019
Ágatha Félix não resistiu ao ferimento
Ágatha Félix não resistiu ao ferimento(Foto: REPRODUÇÃO)

A Kombi onde estava Ágatha Félix, menina de 8 anos baleada por um PM no Complexo Alemão, Rio de Janeiro, passou por uma perícia na manhã desta segunda-feira. As informações são do site de notícias G1. Peritos analisaram de qual direção veio o tiro com base nos buracos da bala no estofado do banco. Uma cânula foi usada para simular o trajeto do projétil. Não foi encontrada marca de tiro no porta-malas. A Polícia ainda informou que fará uma reconstituição do crime.

"A informação que eu tenho é que estava aberto”, informou José Carlos Soares, que se identificou como dono do veículo. Danilo Félix, tio de Ágatha, também disse que o bagageiro estava aberto. "A Kombi parou para deixar um passageiro que tinha compras na mala. Foram tirar as compras da Kombi quando passou uma moto. Falaram que eram dois homens sem camisa. Não sei se mandaram parar enquanto passou e o policial atirou, só que pegou na Kombi onde tava minha sobrinha", relatou Danilo.

A polícia vai fazer um confronto balístico para saber se o tiro que atingiu Ágatha partiu da arma de um dos policiais ou de algum traficante. Um projétil foi retirado do corpo da menina no hospital e fragmentos de bala foram encontrados quando o corpo da criança já estava no Instituto Médico Legal (IML). O delegado Marcus Druker, da Delegacia de Homicídios (DH) da capital, informou que espera receber nesta segunda as armas de três PMs que estavam na Fazendinha quando Ágatha foi baleada. Também está previsto que os três policiais prestem depoimento.

Ágatha foi atingida por um tiro de fuzil

Ágatha Félix, 8 anos, foi atingida por um tiro de fuzil na noite da última sexta-feira, 20, e não resistiu aos ferimentos. A criança estava dentro de uma kombi quando recebeu o disparo de uma policial militar da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Segundo moradores, a PM atirava contra um motociclista que passava no mesmo local.

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar afirmou que a equipes da UPP estavam sendo atacadas e revidaram a agressão. Após varredura, não encontraram feridos nos locais dos tiros. No entanto, foram informados por moradores que uma vítima teria dado entrada em um hospital da região.

Moradores do Complexo do Alemão organizaram um protesto na manhã do sábado, 2. Entre as pautas, a comunidade pedia paz e criticava a ação policial que matou Agatha com um tiro nas costas. O ato começou às 8 horas, na região da Grota, e a caminhada seguiu pelas ruas da comunidade, com moradores e populares falando ao microfone. Os cartazes levados pelos manifestantes traziam frases como "Vidas nas favelas importam", "Não quero enterrar meus filhos" e "Parem de nos matar".