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NOTÍCIA

Procurador que chamou salário de R$ 24 mil de "miserê" pede licença do Ministério Público

Leonardo Azeredo dos Santos chegou a reclamar do valor dos rendimentos de um procurador: "Infelizmente, não sou de origem humilde. Eu não sou acostumado com tanta limitação"

19:48 | 11/09/2019

O procurador de Justiça de Minas Gerais, Leonardo Azeredo dos Santos, pediu licença médica para se afastar de suas funções. Ele se tornou o pivô da polêmica envolvendo os salários dos procuradores do estado, quando chamou seu salário de R$ 24 mil de “miserê”.

De acordo com Antônio Sérgio Tonet, procurador-geral de Minas, Azeredo está afastado por questões médicas. Em entrevista à Rádio O POVO CBN na manhã desta quarta-feira, 11, Tonet afirmou ainda que o “MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) não compactua” com as declarações de Azeredo. Também garantiu que as reclamações são de caráter individual.

"São declarações isoladas, pessoais e não condizem com o pensamento, com a filosofia de trabalho de atuação da instituição e de seus membros. Nós sabemos que a maior parte da população é carente, pobre, hipossuficiente e é para essa população que o Ministério Público de Minas e o brasileiro tem trabalhando incansavelmente", afirmou.

Em sessão realizada no último 12 de agosto para discussão do orçamento da instituição para 2020, Azeredo questionou a Tonet: “Como é que o cara vai viver com 24 mil reais?". As falas foram tornadas públicas nesta quarta.

Apenas durante os primeiros sete meses deste ano, Azeredo recebeu entre salários e gratificações um total de R$ 562 mil – sendo R$ 477.927,39 líquido. Em média, o procurador ganhou R$ 68 mil por mês, conforme dados do Portal da Transparência.

No mês de março, porém, ele viveu o seu considerado “miserê”. Seu rendimento bruto foi de R$ 35.462,50. Graças aos descontos do Imposto de Renda e da contribuição previdenciária, no entanto, o valor chegou a R$ 23.803,50, quantia próxima à contestada.

"Eu, infelizmente, não sou de origem humilde. Eu não sou acostumado com tanta limitação", justificou, alegando que já estava “baixando o próprio padrão de vida bruscamente".