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NOTÍCIA

Brasil apresenta segunda maior taxa de homicídios na América do Sul, aponta relatório da ONU

O País tem taxa de 30,5 assassinatos a cada 100 mil pessoas, ficando atrás somente da Venezuela, com 56,8

22:35 | 08/07/2019
Rio de Janeiro - Campanha contra homicídios de jovens negros pinta centenas de silhuetas de corpos no chão do Largo da Carioca
Rio de Janeiro - Campanha contra homicídios de jovens negros pinta centenas de silhuetas de corpos no chão do Largo da Carioca (Foto: Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil)

O Brasil registrou taxa de 30,5 assassinatos a cada 100 mil pessoas, sendo a segunda maior registrada na América do Sul, perdendo apenas para Venezuela, com 56,8. De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado hoje, 8, cerca de 1,2 milhão de pessoas perderam a vida por homicídios dolosos no País entre 1991 e 2017.

Além disso, o Brasil apresentou taxas crescentes nos últimos anos, oscilando de 20 e 26 a cada 100 mil habitantes em 2012, para mais de 30 em 2017. Nesse mesmo período, a Venezuela também teve crescimento, passando de 13 para 57.

Um dos gráficos do estudo alertou para o alto número de homicídios cometidos por policiais. De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), no ano de 2015, a polícia brasileira assassinou 1.599 pessoas, na comparação com 442 nos Estados Unidos, 218 em El Salvador e 90 na Jamaica.

No mesmo ano, 80 policiais foram mortos no Brasil, comparados com 41 nos Estados Unidos, 33 em El Salvador e 8 na Jamaica.

A Colômbia é o país que registrou a maior redução nas taxas de homicídio, de mais de 80 para cada 100 mil habitantes em 1991 para 25 a cada 100 mil em 2017. Segundo o UNODC, a retração pode ser parcialmente atribuída à intensificação da ação estatal contra o tráfico de drogas na região.

O relatório também mencionou, em números absolutos, Nigéria e Brasil, que respondem por cerca de 5% da população, registraram 28% dos homicídios no mundo.

Homens jovens correm mais riscos de serem assassinatos

O relatório do UNODC também mostra que meninos e meninas com nove anos ou menos estão mais ou menos igualmente representados em termos de números de vítimas. Em todas as outras faixas etárias, porém, os homens representam mais de 50% das vítimas, segundo dados de 41 países.

Em todas as regiões, conforme o levantamento, a possibilidade de meninos se tornarem vítimas de homicídios cresce com a idade. Meninos e homens entre 15 e 29 anos são os que mais correm risco de serem assassinatos.

Nas Américas, por exemplo, a taxa de vítimas entre 18 e 19 anos é de 46 a cada 100 mil pessoas – bem acima de outras regiões. Armas de fogo também estão incluídas como sendo “bem mais frequentemente” nos assassinatos.

Casos de feminicídios

Embora mulheres e meninas representem uma porcentagem bem menor de vítimas em relação aos homens, elas continuam lidando com os homicídios cometidos por seus parceiros ou familiares, conforme dados do relatório. Mais de nove a cada dez suspeitos em casos de assassinatos são homens.

O relatório do UNODC apontou diversos impulsionadores do problema, além do crime organizado. Entre eles, estão a disponibilidade de armas de fogo, drogas e álcool, a desigualdade, o desemprego, a instabilidade política e os estereótipos de gênero.

Políticas específicas anticorrupção

O estudo também destaca a importância de respostas à corrupção, de fortalecer o Estado de Direito e de investir em serviços públicos – especialmente em educação. De acordo com o relatório da agência da ONU, estas são medidas “criticas” para reduzir crimes violentos.

Estes esforços podem ser mais eficazes se acontecerem em “certos países na América do Sul e Central, África e Ásia”, e “até mesmo em países com altas taxas nacionais de homicídios”. O relatório destaca que intervenções locais podem ajudar a reduzir o crime, com exemplos positivos verificados em estados como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nessas áreas foram implementadas medidas direcionadas de prevenção do crime que visam explicitamente lugares, pessoas e momentos associados a uma alta concentração de crimes.

David Moura/O POVO Dados