Taxa de assassinato de jovens brasileiros atinge recorde em 2017; Ceará tem 2º pior índice do Brasil
Segundo dados do Atlas da Violência 2019, houve 69,9 homicídios para cada 100 mil jovem no país, o mais alto índice nos últimos dez anos
A morte prematura de pessoas entre 15 a 29 anos por homicídio vem crescendo no País desde a década de 1980. Em 2017, 35.783 jovens foram assassinados no Brasil. Esse número representa taxa de 69,9 homicídios para cada 100 mil no país, sendo uma taxa recorde nos últimos dez anos.
Conforme dados do Atlas da Violência 2019 divulgado nesta quarta-feira, 5, assassinato foi a causa de 51,8% dos óbitos de pessoas na faixa de 15 a 19 anos; de 49,4% de 20 a 24; e de 38,6% entre 25 a 29 anos. O Atlas é elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
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AssineEsse recorde nos índices da juventude se dá exatamente no momento em que o País passa pela maior transição demográfica de sua história, rumo ao envelhecimento, o que impõe ainda maior gravidade ao fenômeno. Além da tragédia humana, os homicídios de jovens geram consequências sobre o desenvolvimento econômico do Brasil.
Números
A comparação também evidencia a heterogeneidade do fenômeno entre as unidades federativas, com taxas variando de 18,5 até 152,3 para cada 100 mil habitantes jovens. Em 2017, os menores índices de homicídios foram registrados em São Paulo (18,5), Santa Catarina (30,2) e Piauí (38,9). Já as maiores, acontecerem em três estados do Nordeste: Rio Grande do Norte (152,3), Ceará (140,2) e Pernambuco (133,0).
Entre os anos de 2016 e 2017, o Brasil experimentou avanço de 6,7% na taxa de homicídios de jovens. Na última década, o índice passou de 50,8 por grupo de 100 mil em 2007, para 69,9 no ano de 2017, crescimento de 37,5%. Além disso, os estados com os maiores aumentos foram Ceará (+ 60%), Acre (+50,5%) e Pernambuco (+26,2%). Já as diminuições mais expressivas ocorreram no Distrito Federal (-21,3%), Piauí (-13,9%) e Paraná (-13,3%).
“É fundamental que se façam investimentos na juventude, por meio de políticas focalizadas nos territórios mais vulneráveis socioeconomicamente, de modo a garantir condições de desenvolvimento infanto-juvenil, acesso à educação, cultura e esportes, além de mecanismos para facilitar o ingresso do jovem no mercado de trabalho”, conclui o estudo.
De acordo com os dados do Atlas, a criminalidade violenta vem sendo fortemente relacionada ao sexo masculino. Dos 35.783 jovens assassinados em 2017, 94,4% (33.772) eram homens. Considerando apenas esse fator, o Nordeste tem os três estados com as maiores taxas registradas: Rio Grande do Norte (281,9), Ceará (262,6) e Pernambuco (255,4). Já os menores índices foram em São Paulo (33,3), Santa Catarina (53,6) e Mato Grosso do Sul (72,3).
No que se refere à evolução das taxas de homicídios de homens jovens no país, observou-se um aumento de 38,3% entre 2007 e 2017. De 2016 a 2017, esse mesmo índice cresceu 6,4%. Nesse período, 11 das 27 unidades federativas apresentaram queda, com destaque nos estados do Distrito Federal (-19,7%), em Rondônia (-16,4%) e Piauí (-15,4%); e nove tiveram variação acima da média nacional, no qual os maiores aumentos foram observados no Ceará (+57,8%), Acre (+52,6%) e Pernambuco (+27,4%).
Segundo o estudo, o grupo etário de 15 a 29 anos representou 54,5% do total de vítimas de homicídio naquele ano, embora represente apenas 24,6% da população brasileira.
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