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Em Pernambuco, tem gente que freva o ano inteiro

Ritmo mais tocado no Estado durante o Carnaval, o frevo faz parte da rotina de muita gente, como a dona de casa Dilma do Passo
21:41 | Mar. 02, 2019
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Tipo Notícia

Evidente que o folião que estiver em Olinda, Recife ou em outra cidade de Pernambuco neste Carnaval vai ouvir frevo, nem que seja um pouco. Bem provável que também arrisque uns passos, pois dificilmente se resiste parado ao ritmo. Mas depois da Quarta-feira de Cinzas, as músicas só serão lembranças, para a maioria dos mortais, até o próximo Sábado de Zé Pereira.

Para Dilma do Passo, batizada Maria José Pereira de Amorim, 63 anos, é diferente. O frevo faz parte da rotina, de janeiro a janeiro, há 15 anos. Foi esteio em um momento difícil. Agora é alegria, passatempo e orgulho.

“O frevo me salvou de uma depressão. Perdi meu marido, em 2000, de um infarto. Fiquei sem ânimo, era um amor grande. Não tinha vontade de fazer nada. Quatro anos depois falei com um vizinho que frequentava a Escola de Frevo (Maestro Fernando Borges) e resolvi ir lá”, conta Dilma, como é mais conhecida. “No início era dançando e chorando. Depois a tristeza foi passando. Me entreguei ao frevo, depois ao teatro, e consegui levar o barco adiante”, comemora a passista.

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Além da escola, ela integra o grupo Guerreiros do Passo, que se reúne para frevar o ano inteiro, no bairro do Hipódromo, na Zona Norte do Recife. “Semana que vem já tem aula. Não é porque o Carnaval acabou que a gente vai parar. São 12 meses dançando o tempo todo. Frevo é contagiante, é força, é coragem”, enfatiza Dilma. “Muita gente comenta sobre frevar na minha idade. A dança me proporciona saúde, vitalidade. Não tenho vergonha do meu corpo”, destaca a dona de casa, moradora de Santo Amaro, área central da capital pernambucana.

Dilma se tornou embaixadora do ritmo. É uma década e meia participando do concurso de passistas realizado pela Prefeitura do Recife. Ela diz que somente uma vez, neste período, faltou ao certame porque viajou para o Maranhão, seu Estado de nascimento. Já ganhou 12 troféus. O mais recente foi na competição de sábado passado, no Pátio de São Pedro. “Não é difícil frevar. A dificuldade está na nossa mente. A mente leva o corpo. Aprende quem realmente quer”, assegura Dilma.

A agenda dos próximos dias está cheia de apresentações como passista. Vai levar o ritmo para vários polos de animação do Recife. Gasta um tênis por ano, em média. “Às vezes até mais”, comenta. “Acho que deveriam valorizar mais o frevo. Era bom que ensinassem nas escolas, que não ficasse só na época do Carnaval. Que fosse levado para presídios, para asilos, para hospitais. Porque como fez bem pra mim, faz para outras pessoas”, sugere Dilma.

SONHO

Diferentemente de Dilma, Wanderley Aires, 27, publicitário e artista, descobriu o frevo ainda criança. Começou num circo, andando de perna de pau, fazendo malabares. Para a dança foi um pulo. “Não imaginei que tornaria profissão. A dança, e o frevo, claro. Paguei minha faculdade e hoje me sustento com o que ganho dançando”, conta Wanderley, também um veterano do concurso de passistas da prefeitura.

Já foi pentacampeão, duas vezes segundo lugar e uma vez terceiro lugar. Neste Carnaval a rotina será puxada. Pelo menos cinco apresentações por dia. Começa bem cedo e muitas vezes vai até a madrugada, quase sem parar. “Claro que cansa. Mas gosto muito”, destaca.

Renata Vieira de Oliveira, 19, estudante de fisioterapia, é outra apaixonada pelo ritmo. Passista profissional, vive o frevo todos os meses. “A sensação de contagiar outras pessoas com o frevo é muito boa. Sinto leveza quando estou fazendo os passos. Se tiver triste, logo passa”, conta Renata, que deseja conquistar um dos troféus que Dilma e Wanderley já guardam nas suas estantes de casa. “São dois sonhos que tenho. Um é vencer o concurso. Outro é dançar como passista no Galo da Madrugada. Não consegui este ano, mas não vou desistir”, diz Renata, com confiança.

JC Online

Via Rede Nordeste

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